Ao longo dos anos o Festival Internacional de Londrina vem apostando na diversidade das linguagens cênicas. Uma fórmula que comporta as mais variadas estéticas, que oferece ao espectador uma visão mais ampla do próprio teatro.
O Filo 2006, que termina hoje, manteve essa fórmula em sua capacidade de amplitude. Muito mais do que a opção de ''gostar'' ou ''não gostar'', o evento ofereceu ao espectador acesso às múltiplas maneiras da arte assumir o desenho teatral.
A grande novidade do Filo 2006 foi a atenção dispensada ao teatro infantil. Nas edições anteriores do evento, espetáculos voltados às crianças eram raros e ocasionais. Esse quadro foi revertido com a criação de um espaço específico para as montagens infantis onde foram apresentados oito espetáculos nacionais.
A presença de grande quantidade de monólogos também foi uma as marcas do Filo 2006. Entre companhias internacionais e intencionais, dez monólogos foram apresentados. Alguns trabalhando a linguagem do ator enquanto espetáculo, outros seguindo o caminho muito próximo da chamada ''demonstração de trabalho de ator.''
Grupos locais ganharam maior espaço nessa edição do festival. Ao todo foram apresentados dez espetáculos envolvendo tanto grupos criados recentemente na cidade como companhias com anos de estrada. Esse número torna-se significativo se comparado com a edição anterior, de 2005, quando apenas quatro trabalhos londrinenses fizeram parte da programação.
A dança, que teve presença determinante nos anos anteriores, ficou reduzida apenas ao trabalho de duas companhias, a Karlik Danza Teatro e o Teatro del Silencio com ''Uma Madre Coraje y Sua Hijos en el Purgatório'', e o Cena 11 com ''Skinnerbox''. Dois trabalhos pautados pelo experimentalismo dentro da dança contemporânea.
Entre os espetáculos aplaudidos com mais entusiasmo e emoção pelo público este ano, destacam-se ''Toda Nudez Será Castigada'', da Armazém Companhia de Teatro, ''The Queen of Coulors'', da Erfreuliches Theater Erfurt, e ''L'Avar'' da Tàbola Rassa. Cada qual por seus próprios motivos e virtudes.
O Cabaré do Filo, a parte festiva do evento, retornou à sua forma original - tanto em seu formato enxuto como em raízes enquanto conceito. Fato que reafirma o evento como algo em constante transformação. Mudanças impulsionadas pela diversidade, como também pela adversidade.

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