Nada como começar um evento teatral sob a inspiração de Molière. Melhor ainda se Molière vier embalado pela criatividade do grupo Galpão, de Belo Horizonte. Pois é com estes dois grandes apelos que começa na próxima sexta-feira o 6º Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto - FIT. No Anfiteatro da Represa Municipal, às 21 horas, a irreverente companhia mineira abre o festival com o espetáculo de rua ''Molière Imaginário'', dirigido por Eduardo Moreira. A montagem é uma comédia que discute a função do teatro, homenageando um dos grandes dramaturgos da História. Quem abre a cena é a rainha Mab que convida o público a se distanciar da realidade e ressuscitar Molière, para que ele reveja seus últimos momentos na terra.
No dia 15, o Galpão volta às ruas para encenar na Praça Cívica ''Um Homem é Um Homem'', montagem mais recente da companhia, dirigida por Paulo José. O texto, adaptado de Bertold Brecht, trata da corrupção e das falcatruas do mundo. Dá para sentir a atualidade da proposta? Então somem a isso a experiência de um grupo que já tem mais de 20 anos e está consolidado no cenário nacional pela sua atuação singular, cheia de humor crítico e agudeza de espírito. O resultado só pode ser dos melhores. Essencialmente musical, ''Um Homem é Um Homem'' mistura várias linguagens, do expressionismo alemão, às pernas-de-pau do circo, passando pelas canções de cabaré. Detalhe: o cenário móvel é composto de andaimes.
Na sua 6º edição internacional, o festival de Rio Preto tem como tema ''Territórios x Estratégias'', reunindo na programação espetáculos variados, questionadores e híbridos. Este ano, o FIT traz seis atrações estrangeiras, com grupos da França, Peru, Rússia, Benin e Chile/ Espanha, que se juntam na co-produção ''Una Madre Coraje e Sus Hijos en el Purgatorio'', apresentado recentemente no FILO, em Londrina.
As atrações nacionais que integram a categoria ''adulto'' estão reunidas numa grade de 27 espetáculos, uma bela amostragem do que se passa no circuito brasileiro das artes cênicas. Chamam a atenção o musical ''Otelo da Mangueira'', dirigido por Daniel Herz, e ''A Descoberta das Américas'', da Cia Leões de Circo Pequenos Empreendimentos, ambos do Rio de Janeiro. De São Paulo, entre outras coisas, vem ''O Assalto'', do Teatro Oficina, com direção de Marcelo Drummond, e ''Peças'', texto de Gertrud Stein com direção de Márcio Aurélio, sendo a criação, tradução e atuação de Luiz P‹etow. O grupo Lume, de Campinas, apresenta ''Que Seriam de Nós Sem as Coisas Que Não Existem'' e ''Sopro'', este último um trabalho solo de Carlos Simioni que também foi mostrado no FILO 2006. A montagem se destacou como uma dos mais procuradas pelo público, fenômeno que se repete em Rio Preto dada a qualidade da companhia paulista, reconhecida pela apurada investigação e pesquisa teatral que desenvolve.
Londrina também ''exporta'' para o festival a montagem ''Bricolage'', do Projeto Roda, com direção de Paulo Braz. E como prata da casa também brilha, a Cia Núcleo 2, de São José do Rio Preto representa a cidade na grade oficial com um clássico do teatro brasileiro, ''O Abajur Lilás'', de Plínio Marcos. Estão programados também nove espetáculos de rua.
O público infantil será contemplado nesta edição com sete peças na mostra que acontece no Teatro Santo André, com sessões diárias às 15 e às 19 horas, com bilheteria. Mas também haverá sessões gratuitas dos mesmos espetáculos num centro social da cidade , o ''Pinheirinho''.
A Petrobras, empresa que patrocina o evento, leva ao festival um palco onde serão realizadas as Atividades Formativas: palestras, mesas redondas, painel crítico e debates. O espaço abrigará ainda as últimas novidades em tecnologia e recursos de multimídia. Toda a programação no Palco Petrobras será gratuita.
A dois dia do início do festival, Rio Preto já respira teatro. As peças, para todos os gostos, acontecerão em 11 espaços culturais e 15 locais públicos. Uma das atrações mais aguardadas é a apresentação ininterrupta, durante nove dias, entre 14 e 22 de julho, do Projeto Uroborus, de São Paulo, numa arena que será montada no saguão da rodoviária da cidade. O trabalho consiste em encenações diárias, de 24 horas, com intensa participação do público. Os ''anônimos'' que desejam participar da montagem junto com os atores profissionais devem se inscrever no site do festival. O texto é uma colagem de vários autores que deverá ser interpretada pelos voluntários que se dispuserem a fazer teatro de uma forma muito original. Uma experiência única para quem nunca pisou num palco.
Outra atração instigante é ''Assombrações do Recife Velho'', apresentada pela companhia paulistana Os Fofos Encenam. O espetáculo será mostrado todos os dias, sempre à meia-noite, num casarão da cidade. Neste caso, o público deverá preparar o espírito para coisas de arrepiar.

Serviço:
- Os ingressos para os espetáculos podem ser comprados Central de Ingressos do FIT: Avenida Francisco Chagas de Oliveira, 1.333, das 9 às 22 horas. Mais informações pelo telefone (17) 3216-9300 ou através do site www.festivalriopreto.com.br
A jornalista viajou a São José do Rio Preto a convite da organização

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