O Brasil ganha a partir de hoje mais um Festival Internacional de Teatro. Desta vez, a cidade de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, realiza o 1º Festival Internacional de Teatro, um desdobramento do evento amador que é realizado há 31 anos na cidade. Espetáculos garimpados da França, México e Alemanha seguem ladeados de peças brasileiras de sucesso e pela linguagem de grupos amadores, que almejam um lugar ao sol. Tradicional evento das artes cênicas do País, o Festival de Teatro de São José do Rio Preto, nesse longo período de resistência, deu visibilidade a grupos amadores de todo o Brasil, com apresentações de caráter competitivo.
Grupos de teatro de Londrina ganharam projeção nacional e internacional depois de se apresentarem em Rio Preto, nos anos 80. Os extintos Grupo Delta e Proteu, além do Cemitério de Automóveis, de Mário Bortolotto, e Cia. Armazém, de Paulo de Moraes, marcaram presença no Festival. Por telefone, o coordenador do 1º Festival Internacional de São José de Rio Preto, Vitor Hugo Zanezi Longo, disse à Folha2 que agora os grupos amadores estão inseridos num contexto internacional e recebem a mesma divulgação. ‘‘A fórmula antiga não foi sepultada. Esse Festival teve muita importância nas décadas de 70 e 80 e precisava repensar sua proposta. Havia uma necessidade de experimentar’’, justifica Vitor Longo.
As mudanças ocorreram em termos conceituais. Um dos diferenciais em relação a outros festivais internacionais – como o de Porto Alegre, Londrina e Belo Horizonte – é o espaço denominado de ‘‘Não-Lugar’’, que abriga espetáculos com linhas de concepção experimentais. O local é um clube cenografado. Em cada cômodo são apresentados trechos de peças ou trabalhos no estilo ‘‘work in progress’’ (ainda por finalizar). De caráter filosófico, literário e musical, o ‘‘Não-Lugar’’ deve ressaltar a diversidade cênica na cidade paulista.
O Festival teve um custo de R$ 500 mil, verba oriunda da Prefeitura, Ministério da Cultura, Secretaria Estadual de Cultura e Sesc São Paulo. Na grade de programação, o público pode optar por 58 espetáculos, em 134 apresentações programadas. Na curadoria internacional foi convidado o ex-produtor do Fiac (Festival de Artes Cênicas), Ricardo Muniz Fernandes.
O grande chamariz desta primeira edição é o ator e diretor japonês Yoshi Oida, do Centro Internacional de Criação Teatral, de Peter Brook. Ele abre o evento com ‘‘Le Bonnes’’ (As Criadas), espetáculo de dança baseado na peça de Jean Genet, que conta com a participação do bailarino brasileiro Ismael Ivo. Yoshi Oida se multiplica. Apresenta o solo ‘‘Interrogações’’, lança o livro ‘‘O Ator Invisível’’ e ministra workshop sobre interpretação, quando apresenta sua metodologia de trabalho, influenciada pelo diretor Peter Brook.
Da Alemanha, Angie Hiesl apresenta a instalação performática ‘‘X Vezes Gente e Cadeira’’, que foi apresentado no Filo 98, em Londrina. Angie traz ao Brasil atores alemães, que se juntam a outros artistas da cidade paulista e quatro atrizes do Grupo Fase III, de Londrina. As atrizes Jandira Testa, Maria Teresa Sampaio, Magdalena Cortez, Sandra Lessa e o diretor João Henrique Bernardi levam o know-how da instalação, cuja proposta é colocar o idoso em evidência, apresentando cenas cotidianas na parte externa de alguns prédios da cidade.
No rol de novidades, cabines itinerantes de ‘‘peep-show’’ fazem um passeio por Rio Preto com a proposta denominada ‘‘1,20x2,00xR$0,50’’. No lugar de mulheres nuas, foram escolhidos cinco clássicos da dramaturgia apresentados para uma pessoa. Por módicos R$ 0,50, o espectador pode assistir a trechos de peças de Plínio Marcos, Nelson Rodrigues ou William Shakespeare, realizados por atores e diretores da cidade.
Dos nomes de peso da cena brasileira, vale destacar Paulo José, Otávio Augusto e Matheus Nachtergaele no excepcional espetáculo ‘‘A Controvérsia’’. Até a jornalista Marília Gabriela dá o ar da graça em Rio Preto, com a peça moldada especialmente para ela pelo polêmico diretor Gerald Thomas.

mockup