Teatro aborda temas urgentes
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segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Reforçando a proposta de apresentar espetáculos necessários que tratem de temas urgentes e contemporâneos como a tolerância, o humanismo e o respeito à diversidade, a 49ª edição do Filo (Festival Internacional de Londrina) apresenta esta semana três montagens que falam sobre preconceitos e violências em torno da sexualidade. Encenada pela ABGV Produções Artísticas (RJ), "Tom na Fazenda" fala sobre a invisibilidade causada pela omissão da condição sexual do personagem central. Os dramas reais vividos por transgêneros também inspiraram a concepção de "Grazi-Ellas", produzida pelo grupo Teatro Divina Decadência Artes Cênicas UEL. Já o racismo faz parte do enredo de "Gritos", trazida pela Cia dos a Deux (RJ).
Atração, desta terça e quarta-feira (15 e 16), às 21 horas, na Usina Cultural, "Tom na Fazenda" chega a Londrina após bem-sucedidas temporadas no Rio de Janeiro e São Paulo. Com cinco indicações ao Prêmio Shell e a seis categorias do Prêmio Cesgranrio, a montagem da companhia carioca ABGV Produções Artísticas conta a história do personagem que dá título ao espetáculo e que percebe ser invisível para a família do seu namorado que acaba de falecer. Após a morte do companheiro, Tom passa a viver na fazenda dos familiares do companheiro e acaba caindo numa trama de mentiras criadas pelo truculento irmão do falecido que tenta, a todo custo, esconder da mãe a orientação sexual do cunhado.
O texto é do premiado escritor canadense Michel Marc Bouchard e foi montado pela primeira vez em 2011, em Montreal, e adaptado para o cinema por Xavier Dolan, diretor do filme homônimo que estreou em 2013. "O Armando Babioff - ator que vive Tom - descobriu o texto a partir do filme, comprou os direitos autorais e me convidou para dirigir a peça. Neste momento de intolerância que o Brasil e o mundo atravessam, o texto aborda a questão do preconceito partindo de dentro do núcleo familiar. Mostrando como é delicada a situação de uma pessoa que não consegue mostrar quem realmente é nem mesmo perante o pai e a mãe. E como o preconceito surge dentro da própria casa", destaca o diretor do espetáculo, Rodrigo Portella.
"Embora o autor use a homossexualidade como uma das características marcantes do personagem, acima de tudo o espetáculo aborda a dificuldade de comunicação que as pessoas ainda têm apesar de vivermos conectados a milhares de redes sociais. E também da covardia e da coragem de se assumir integralmente como cada um realmente é na essência", ressalta o ator Armando Babaioff, ao comentar que após assistir ao filme de Xavier Dolan resolveu comprar os direitos para encenar a peça no Brasil.
A montagem que será apresentada pelo grupo Teatro Divina Decadência Artes Cênicas UEL, na sexta-feira (18), às 19h30, no Centro Cultural Sesi/AML, Grazzi Ellas traz à luz fatos verídicos e obscuros, permeados de violências e transfobias, denunciando uma invisibilidade que, segundo o grupo, é legitimada socialmente. O corpo trans, moldado pelas violências sociais, mostra sua resistência cotidiana através da história de Grazi, uma mulher trans londrinense que foi protagonista de um crime hediondo e com características transfóbicas, tornando-se uma mártir na história da militância trans em Londrina.
Já o espetáculo "Gritos", que será encenado pela Cia dos a Deux, do Rio de Janeiro, no sábado e domingo (19 e 20), às 21 horas, no Teatro Ouro Verde, aborda o racismo, a homofobia e o menosprezo por pessoas consideradas invisíveis. Sem uma única palavra, apresenta um forte posicionamento sobre assuntos urgentes em nossa sociedade. Com dramaturgia, direção e atuação de André Curti e Artur Luanda Ribeiro, que trabalham há anos com teatro gestual, a nova montagem nasce da reunião de três poemas ou gritos metafóricos: "Louise", "O homem" e "Amor em tempos de guerra". "Gritos" foi vencedor das principais premiações de artes cênicas no país. São elas: 29ª Edição do Prêmio Shell de Teatro (2 indicações): Cenário (André Curti e Artur Luanda Ribeiro). 4ª Edição do Prêmio Cesgranrio de Teatro (4 indicações): Melhor Cenografia (André Curti e Artur Luanda Ribeiro).
O Filo (Festival Internacional de Londrina)conta com apoio do Grupo Folha de Comunicação.
Serviço:
'Tom na Fazenda', com ABGV Produções Artísticas (RJ)
Quando Terça e quarta-feira (15 e 16), às 21 horas
Onde Usina Cultural (Av. Duque de Caxias, 4159)
Quanto - R$30 (inteira) e R$15 (meia)
'Grazi-Ellas', com o grupo Teatro Divina Decadência Artes Cênicas UEL
Quando Sexta-feira (18), às 19h30
Onde Centro Cultural Sesi/AML (Praça Primeiro de Maio, 130)
Quanto - R$30 (inteira) e R$15 (meia)
'Gritos', com Cia dos a Deux (RJ)
Quando Sábado e domingo, (19 e 20), às 21 horas
Onde Teatro Ouro Verde (R. Maranhão, 85)
Quanto - R$30 (inteira) e R$15 (meia)
*Pontos de venda Bilheteria do Filo instalada no Shopping Royal Plaza ou diskingressos.com


