TEATRO '100' e 'Fausto' são destaques hoje
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sexta-feira, 19 de março de 2004
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Final de semana para amante de teatro nenhum botar defeito. Hoje é o terceiro dia do Festival de Teatro de Curitiba (FTC) e as programações estão cheias de peças interessantes para serem vistas. Uma das atrações máximas do FTC é a peça 100. Premiada em 2002 no Festival de Edimburgo, na Escócia, um dos mais importantes do mundo, com o Fringe Firts Award, a montagem chega hoje em Curitiba para três dias de apresentações no Teatro Guaíra.
A vinda de 100 para cá traz uma série de fatores importantes em seu contexto. Primeiro é a de que a peça será legendada através de um telão, já que seus cinco atores são todos ingleses. Segundo que a co-autora, diretora associada e produtora é Diene Petterle, uma parananese radicada na Europa. Tudo puro coincidência, segundo ela falou à Folha, por telefone: Olha foi tudo uma grande coincidência. Quando estávamos em Edimburgo, em 2002, e recebemos críticas maravilhosas que acabaram nos levando a ganhar o Fringe First Award, um dos prêmios mais importantes do festival, fomos procurados por uma pessoa que era do FTC . Daí que eu vi que eram da minha cidadezinha!!.
Diene contou ainda que a vinda da peça ao FTC era para ter acontecido no ano passado, mas que em função da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter desestabilizado as transações comerciais, ficaria muito caro trazê-los, já que seus cachês são pagos em libras esterlinas, moeda inglesa.
Para quem quiser ver a peça ai vaí a sinopse: cinco personagens morrem e ao chegar do outro lado tem que escolher uma única lembrança que será seu único caminho para alcançar a eternidade. Com apenas uma hora para definir qual será a lembrança escolhida, eles se movimentam entre um cenário onde há apenas seus corpos e varas de bambu. No momento em que escolherem todo o resto ficará esquecido para sempre e o momento será capturado por camâra mágica. Queremos com esse tema parar para pensarmos no que é realmente importante em nossas vidas. O que é essencial nesse corre-corre que vivemos, explicou Diene.
Uma outra intenção da peça tem é fazer o público se transportar, imaginariamente, para espaços como uma corrida de bicicletas, na França, uma floresta equatorial, na América do Sul, um túnel do metrô londrino, enquanto os personagens tentam capturar sua lembrança eterna. É bom imaginarmos que em cada país que passamos essas imagens se modificam, disse ainda Diene.
Outra peça a chamar a atenção é de um autor antigo conhecido dos interessados em teatro. É Fausto, um adaptação do diretor Gabriel Villela do famoso romance de J.W. Goethe. Na trama, Dr. Fausto, um profundo conhecedor de medicina, filosofia, jurisprudência e teologia, vende sua alma ao diabo por pura insatisfação com sua própria vida.
Ao receber a promessa de que terá novos prazeres, ele conhece e engravida Margarida, uma mulher casta. Para livrar-se da culpa por ter se entregue ao prazer, ela afoga a criança assim que dá à luz. Este ato a leva a loucura e à prisão. Uma trama densa baseada num texto escrito entre 1773 e 1775, caracterizada por cenas curtas e uma narrativa de cortes ágeis. Foi escrita por Goethe aos seus 26 anos de idade, época do pré-romantismo alemão.


