TEATRO - Tartufo chega a Curitiba
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quinta-feira, 08 de julho de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Depois de quase um ano em cartaz nos teatros de quase todo o País, neste final de semana é a vez dos curitibanos assistirem ''Tartufo'', comédia de Molière, considerado um dos melhores textos do dramaturgo francês. O espetáculo será apresentado de hoje a domingo, no Teatro Fernanda Montenegro.
Mas, ao contrário do pilantra gordo e grotesco retratado por Molière, na montagem dirigida por Tonio Carvalho, o personagem Tartufo ganha uma nova silhueta. Na pele de Eduardo Moscovis, passa a ser um vilão belo e sensual. No entanto, o Tartufo do diretor Carvalho vai bem além da beleza de Moscovis.
Esta é a segunda montagem da Companhia do Imaginário, fundada por Moscovis, Carvalho e a parceira Ana Lúcia Torre, com o objetivo de criar um teatro de repertório. O primeiro trabalho do trio, o drama ''Norma'', estreou em Curitiba em abril de 2002, no Festival de Teatro. Depois, seguiu pelo Brasil com sucesso de público e crítica.
''Tem um lado curioso nessa história, porque todos nós que fazemos 'Tartufo' somos amigos, estamos próximos há algum tempo. Muitos trabalharam em 'Norma'. Agora estamos aqui de novo para, talvez, fechar o circuito de apresentações de Tartufo'', disse Du Moscovis ontem, em entrevista à Folha2. Ele contou, ainda, que só se apresentou na Capital durante o festival. ''Ana e eu estamos com muita expectativa sobre como será essa apresentação em Curitiba'', diz.
Escrita no século 17, ''Tartufo'' chegou a ficar censurada por cinco anos na França por tratar satiricamente a família burguesa, a religião e a nobreza. Molière chegou a ser acusado de ''libertino, ímpio, diabólico'', por mostrar a Igreja de maneira ''ridícula e depreciativa''. E recebeu até um pedido de castigo: a fogueira.
A comédia conta a história de Tartufo, um charlatão que se finge de beato para explorar Orgonte (Ernani Moraes), um rico burguês. O farsante também tenta seduzir a mulher de Orgonte, Elmira (Vanessa Gerbelli). O ingênuo burguês fica tão fascinado com a lábia de Tartufo que chega a oferecer a ele seus bens e a mão de sua filha em casamento, mesmo sabendo que ela está apaixonada por outro.
De maneira brilhante, Molière desconstrói a hipocrisia da estrutura social da época, fazendo com que uma popular e sábia empregada, Dorina (Ana Lúcia Torre), desmascare as farsas de Tartufo. Capaz de mentir, roubar, fraudar, especular e transgredir só com o objetivo de se dar bem, ''mas sempre em nome de Deus'', Tartufo é o símbolo dessa estrutura que, sem escrúpulos, usa um ao outro a seu bel-prazer. Além disso, paralelamente existe, ainda, o engraçado romance entre Valério (Sérgio Módena) e Mariana (Fernanda Boechat).
''Não é difícil comparar com a realidade atual, quando comportamentos antiéticos e práticas corruptas assolam o País e o mundo. São indivíduos que, servindo-se de cargos públicos, roubam, enriquecem e ficam impunes. Assim como religiosos abusam de inocentes e empresários fraudam contas e tributos. Enfim, é um vale-tudo imoral que parece tornar-se, cada vez mais, prática corriqueira'', explica o diretor Tonio Carvalho.
Ao contrário de ''Norma'', que tinha apenas dois personagens em cena, ''Tartufo'' vem com um elenco maior, que também inclui Oberdan Júnior (Damis), Risa Landau (sra. Pernela), Renato Farias (Cleanto) e Fred Benedini (sr. Leal e Guarda).
Serviço:
- Tartufo Comédia de Molière. Hoje e amanhã, às 21 horas, e domingo, às 19 horas, no Teatro Fernanda Montenegro (Shopping Novo Batel - Rua Coronel Dulcídio, 517), em Curitiba. Ingressos: R$ 50 e R$ 25 (estudantes e espectadores que levarem um quilo de alimento não-perecível).


