TEATRO - Talento e glamour em cena
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quinta-feira, 18 de maio de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba Desde que o espetáculo estreou, há dois anos, os figurinos já tiveram de ser trocados duas vezes. E olha que não são roupas comuns, são peças originais, criadas e confeccionadas pela grife francesa Maison Chanel, que pela primeira vez colabora com a produção de um espetáculo baseado na vida da lendária criadora da marca. ''Mademoiselle Chanel'' é, aliás, o primeiro espetáculo autorizado que conta a vida da consagrada estilista. E quem vive Gabrielle Chanel, ou simplesmente Coco Chanel, no palco é a atriz Marília Pêra. A montagem, dirigida por Jorge Takla tem duas apresentações em Curitiba, hoje e amanhã, no Teatro Guaíra.
Em entrevista à Folha2, por telefone, o diretor revelou que desde a estréia da peça, algumas questões técnicas tiveram que ser modificadas, como a estrutura do cenário e a própria reposição de roupas e sapatos utilizados em cenas. ''São figurinos delicados, bordados e originais e que não foram feitos pra serem usados mais de 100 vezes, como aconteceu'', conta. O espetáculo teve bem-sucedidas temporadas no Brasil e na Europa desde que estreou, em 2004.
E até mesmo em Paris, berço da estilista Chanel, a montagem foi ovacionada. ''Foi muito interessante a apresentação lá. Nós estávamos com uma expectativa grande, mas fomos muito bem recebidos pelo público e pela imprensa, que nos agradeceu por termos levado de volta ao país, o mito francês'', diz Takla. Acostumado com o desempenho de Marília nos palcos, Takla dirigiu o primeiro espetáculo com a atriz há exatos dez anos, quando ela interpretou Maria Callas no espetáculo homônimo. A partir daí vieram ''Victor ou Vitória'', ''Master Class'' e ''Marília Pera canta Ari Barroso'', todos intercalados com projetos pessoais do diretor.
Takla é mais conhecido pelos seus trabalhos de grande porte, como direções de óperas e elenco númeroso, mas não se intimida diante de um projeto mais intimista. ''Trabalhar com a Marília Pera é a mesma coisa que estar à frente de um elenco de 200 atores'', desmancha-se o diretor. Ele salienta que desde a primeira parceria, em 1996, o relacionamento dos dois foi amadurecendo. ''Com o tempo, a gente vai sendo mais generoso um com o outro'', brinca, complementando: ''E com o tempo também, minha admiração por ela só cresce''.
Para interpretar Chanel, que morreu aos 88 anos, a atriz pesquisou desde a vida e obra da estilista até sua postura corporal. Só um detalhe ficou de fora da composição do personagem: a voz grave da estilista francesa, já que se a atriz a imitasse, colocaria em risco sua própria saúde. E quem vê Marília fumando incessantementes no espetáculo (são cerca de dez cigarros em um intervalo de uma hora), não precisa questionar sobre a saúde da atriz. As cigarrilhas são importadas, sem alcatrão ou nicotina e servem apenas para dar veracidade ao personagem.
Escrito em 1991 pela dramaturga Maria Adelaide Amaral, o texto que deu origem ao espetáculo já havia passado pelas mãos de diversas atrizes, entre elas Cleyde Yáconis e Fernanda Montenegro, antes de ser aceito por Marília. Além dela, estão no palco as atrizes Laura Wie e Elen Londero, que desfilam alguns modelos Chanel.
As conquistas, as recordações e os amores da estilista que morreu em janeiro de 1971 são o mote da montagem, que repassa através dessas lembranças a vida da mulher que tornou-se mito da moda e da vida cultural da Europa do século 20. O espetáculo aborda ainda a ligação da estilista com a moda e suas relações com personalidades como os pintores Pablo Picasso e Salvador Dalí, o escritor Jean Cocteau, o bailarino Serge Lifar, o compositor Igor Stravinsky, o produtor Sergei Diaghilev, para citar alguns. Conforme a personagem conta sua história, tece também um panorama da cultura e dos conceitos estéticos difundidos no século passado. Uma passeio pela história da moda no mundo.
Além da direção, Takla assina também a cenografia, iluminação e trilha sonora do espetáculo, que ganha nova temporada no Rio de Janeiro a partir do segundo semestre. Antes disso, porém, a montagem se apresenta em outras cidades. De Curitiba, segue para Porto Alegre. ''Por enquanto estou me dedicando à turnê do espetáculo, mas estou envolvido na pré-produção de um projeto musical grande, previsto para estrear em março de 2007'', revela Takla. Os detalhes do novo projeto, no entanto, ainda estão sendo mantidos em segredo.
Serviço:
- Espetáculo Mademoiselle Chanel, com Marília Pera. Hoje e amanhã, no Teatro Guaíra, em Curitiba. Os ingressos estão já estão à venda e custam R$ 100,00 e R$ 50,00 (meia-entrada) para a platéia, R$ 80,00 e R$ 40,00 (meia-entrada) no primeiro balcão e R$ 60,00 e R$ 30,00 no segundo balcão. A meia-entrada vale para estudantes e maiores de 60 anos.


