Jackeline Seglin
Reportagem Local
Realizar reflexões sobre as relações de poder existentes na sociedade e levar o espectador a participar da encenação através de jogos, exercícios e técnicas teatrais. Essa é a proposta do Teatro do Oprimido, método elaborado pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal a partir da década de 1970. Esse conjunto de técnicas de dramatização está sendo encampado por um grupo de pessoas em Londrina, que formou no ano passado a Fábrica do Teatro
do Oprimido (FTO). Agora, o grupo apresenta um resultado parcial do trabalho na 1ª  Mostra do Teatro
do Oprimido de Londrina, que
começa hoje.
  A mostra é um registro parcial dos resultados obtidos com o projeto ‘‘Teatro e Transformação Social’’, patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). ‘‘Há algum tempo a gente vem buscando um diálogo maior com o público e no ano passado pensamos em desenvolver o Teatro do Oprimido’’, conta Roberto Sales, estudante de Ciências Sociais na UEL e diretor geral da FTO. O projeto busca a multiplicação de grupos a partir de quatro oficinas nas instituições Espaço Vida, Guarda-Mirim, Casa do Caminho e Recanto Maranata, e já registra a participação de cerca de 80 pessoas.
  Sales e o ator André Motta participaram em outubro de um Seminário do Teatro do Oprimido em Santo André (SP), única cidade além do Rio de Janeiro a sediar um núcleo no Brasil, e firmaram parceria com o Centro do Teatro do Oprimido (CTO) da capital carioca.
  A Fábrica já ganhou seu primeiro grupo de teatro, o Fhato, e abre hoje a Mostra com um protesto cênico a partir da técnica ‘‘teatro-jornal’’ (que trabalha a dinamização de notícias de jornal), em defesa da construção do Teatro Municipal e da valorização da arte enquanto fator de crescimento econômico na cidade. As apresentações acontecem no Calçadão, às 14h30, 16h30 e 18h30.
  À noite, o evento tem apresentação de música experimental com os grupos Transafônica Samanah, MPBrasa e Experimental Band. O show ‘‘Ethos Musical – Desconstruindo Pré-Concepções’’ começa às 20 horas,
no Teatro Zaqueu de Melo, com
entrada franca.
  A Mostra do Teatro do Oprimido acontecerá até o dia 15. Serão apresentados nove espetáculos no Teatro Zaqueu de Melo e dois nas ruas – explicitando as técnicas de teatro-jornal, teatro-fórum (espectador também interage com o espetáculo) e teatro-invisível (espectador não sabe que a situação em andamento é uma encenação) –, além de montagens desenvolvidas por grupos que trabalham com a exclusão social.
  A programação prossegue amanhã, com apresentação de ‘‘Essas Mulheres’’, espetáculo da FTO, às 20h30. No sábado, o grupo Fhato mostra ‘‘O pão nosso de cada dia nos dai hoje...’’ às 20h30. O grupo ‘‘Ai, que Susto!’’ mostra domingo o espetáculo ‘‘Eu Quero Viver de Dia’’, no mesmo horário.
  Na semana que vem, a programação traz a Cia. Fulano de Tal, do Circuito Universitário de Cultura e Arte (Cuca) da UEL, o Grupo de Teatro para Atores Especiais (GTPAÊ), uma manifestação de hip hop, o Grupo de Mulheres do Recanto Maranata e um Sarau de Literatura de Cordel com o Cuca/UEL. O encerramento no dia 15 ficará por conta dos grupos FTO e Cuca/UEL. Também haverá uma apresentação de ‘‘teatro-invisível’’
na cidade.
  Durante toda a mostra acontecem paralelamente na Biblioteca Pública exposições de fotografias de Rodrigo Moreno (Cuca/UEL) sobre os temas ‘‘Terminal Urbano: Cenas do Cotidiano’’ e ‘‘Boxeadores da Academia de Boxe do VGD’’, e uma instalação do artista plástico Azor, com entrada franca.


SERVIÇO
n 1ª Mostra de Teatro do Oprimido de Londrina – De 5 a 15 de agosto, de quinta a domingo, no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro, 413). Ingresso: um quilo de alimento não-perecível. Apoio: CTO/Rio de Janeiro, Curso Campos Sales e AG Fotolitos.

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