TEATRO - Quanto custa o espetáculo?
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de julho de 2004
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
Quanto custa um ingresso para assistir a um espetáculo de teatro? Aliás, quanto vale pagar para ver uma atração no palco? Cinco, dez, cinquenta reais? Uma série de questões podem ser apontadas como critério para essa decisão, no entanto, há produções para gostos e bolsos variados. Em Londrina também é assim.
O preço do ingresso para o espetáculo ''Cócegas'', com as atrizes Heloísa Perissé e Ingrid Guimarães (realizado no Teatro Marista nos dias 19 e 20 de junho), foi assunto na seção de cartas da Folha esta semana. Os valores cobrados foram R$ 50 (inteira), R$ 40 (bônus) e R$ 25 (estudantes). Barato não é mesmo, e para o bolso da grande maioria. No entanto, esses espetáculos a maior parte protagonizada por atores do eixo Rio-São Paulo que trabalham em televisão atingem quase sempre grande repercussão e público na cidade.
Um leitor afirmou que ''num país como o Brasil cobrar R$ 50 por um ingresso é praticamente impedir que as classes menos favorecidas possam ter o privilégio de frequentar um teatro''. No entanto, outras duas cartas enviadas à redação lembraram que a produção cultural da cidade oferece também projetos e apresentações teatrais gratuitamente ou a preços acessíveis, permitindo que toda a população independente de classe social possa frequentar teatros ou espaços alternativos. A inclusão sócio-cultural é um trabalho bem mais delicado do que simplesmente reduzir valores de ingressos.
Mesmo assim, não se pode esquecer que a maioria dos espetáculos produzidos na cidade têm preços inferiores a R$ 10. Os subsidiados pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) chegam a custar R$ 2,50.
Londrina é considerada um celeiro teatral, berço de um festival com 37 anos de existência (o Filo, que somente este ano disponibilizou 50 espetáculos de 12 países com ingressos a R$ 10, R$ 5 ou gratuitos), além de abrigar um curso de Artes Cênicas e de uma Escola Municipal de Teatro. Mais de 20 projetos na área devem ser realizados este ano. A cidade também abriga uma série de grupos e profissionais que se destacam pelo trabalho.
A produtora Claudete Faria, que traz espetáculos a Londrina desde 2000, concorda que o preço do ingresso de ''Cócegas'' foi alto, entretanto, era uma exigência da produção carioca. Mesmo assim, o preço praticado normalmente não fica muito abaixo disso. ''Não tem como cobrar barato. A produção é cara, inclui passagens aéreas, mídia, hospedagem, alimentação, às vezes até para 18 pessoas'', diz.
Apesar das reclamações, ''Cócegas'' teve ingressos esgotados nas duas sessões programadas (para 912 pessoas cada) e mais 570 vendidos para uma terceira apresentação. A produtora conta que o público que lotou o Marista para ver as atrizes da Rede Globo era, na maioria (60%), formada por estudantes.
A cidade ficou anos fora do circuito das turnês nacionais e existia uma lacuna. Claudete Faria conta que este ano foi possível agendar pelo menos um espetáculo por mês. Para a produtora, essa vertente não compete com as produções locais. ''Tudo é questão de costume. O público de teatro tem que ver de tudo e prestigiar inclusive o que é feito aqui, em primeiro lugar. Acho que isso, aos poucos, vai acontecer''.


