Fa­mí­lias apa­ren­te­men­te fe­li­zes, co­mo aque­las re­tra­ta­das em co­mer­ciais de mar­ga­ri­na na te­le­vi­são, po­dem es­con­der dra­mas in­con­fes­sá­veis en­tre as qua­tro pa­re­des da ca­sa.
  O es­pe­tá­cu­lo ‘‘Quan­do es­que­ce­mos ­quem ­somos’’, que es­treou no úl­ti­mo fi­nal de se­ma­na em Lon­dri­na, no Cir­co Fun­cart, abor­da a vio­lên­cia do­més­ti­ca – uma rea­li­da­de ex­pe­ri­men­ta­da em mui­tos la­res, su­fo­ca­da pe­lo me­do e às ve­zes – quan­do de­nun­cia­da – pe­la im­pu­ni­da­de.
  A mon­ta­gem é de alu­nos da Es­co­la Mu­ni­ci­pal de Tea­tro, com di­re­ção de Sil­vio Ri­bei­ro e tex­to de Fran­cis­mar Le­mes. Foi cria­da a pe­di­do da Se­cre­ta­ria Mu­ni­ci­pal de As­sis­tên­cia So­cial pa­ra o Dia Na­cio­nal de Com­ba­te ao Abu­so e à Ex­plo­ra­ção Se­xual de Crian­ças e Ado­les­cen­tes, ce­le­bra­do na se­ma­na re­tra­sa­da.
  O en­re­do fo­ca­li­za a cons­ti­tui­ção de uma fa­mí­lia tra­di­cio­nal a par­tir do na­mo­ro se­gui­do de ca­sa­men­to e for­ma­ção do lar com ­suas con­quis­tas ma­te­riais, a che­ga­da dos fi­lhos e o re­la­cio­na­men­to com a vi­zi­nhan­ça. O idí­lio ro­mân­ti­co, po­rém, ocul­ta ma­ze­las que sur­gem em seu in­te­rior à me­di­da que os per­so­na­gens vão re­ve­lan­do ­suas fa­ce­tas mons­truo­sas. É quan­do a vio­lên­cia se ins­ta­la den­tro da fa­mí­lia tra­zen­do o ter­ror e a an­gús­tia de ví­ti­mas que se sen­tem in­ca­pa­zes de ex­ter­ná-la.
  ‘‘Quan­do es­que­ce­mos ­quem ­somos’’ é o ter­cei­ro tex­to de Le­mes pa­ra tea­tro. ‘‘Mas os ­dois an­te­rio­res fo­ram mui­to ama­do­res. Con­si­de­ro es­te o pri­mei­ro pra ­valer’’, diz ele, que é jor­na­lis­ta. O au­tor con­ta que con­ver­sou com o elen­co an­tes de es­cre­vê-lo. ‘‘Que­ria sa­ber o re­per­tó­rio de­les so­bre o as­sun­to pa­ra de­pois ela­bo­rar a ­dramaturgia’’, sa­lien­ta.
  Ape­sar de abor­dar um te­ma ‘‘­pesado’’, ele res­sal­ta que pro­cu­rou tra­ba­lhar as si­tua­ções de ‘‘uma for­ma ­mais ­leve’’ sem dei­xar de ques­tio­nar o pro­ble­ma. ‘‘As pes­soas vão ao tea­tro pa­ra re­fle­tir, mas tam­bém pa­ra se ­divertir’’, lem­bra. ­Mais in­for­ma­ções pe­lo tel. (43) 3342-2362.


● Fundada em 1995, atende anualmente cerca de 150 alunos. Contabiliza 51 montagens e 361 pessoas formadas

● Estatísticas apontam que a cada 15 segundos uma criança é abusada no Brasil. Denúncias podem ser feitas pelos 181 (Disque-denúncia da Polícia Militar) e Disque 100 (da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República)


O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.

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