TEATRO - Por que parou, parou por quê?
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sábado, 29 de maio de 2004
Karla Matida<br> Reportagem local 
Foram 24 dias de efervescência cultural com teatro para todos os lados e cantos da cidade. Pois agora chegou a hora de fechar as cortinas do espetáculo. O Filo 2004 acaba hoje com a apresentação do Ballet de Londrina no Circo Funcart.
''A chuva atrapalhou um pouco, como no caso da instalação Arcazzar, mas vamos recuperar no final de semana, já que eles (Architects-of-Air) aceitaram ficar mais três dias'', diz Luiz Bertipaglia, diretor do Filo, que na quinta-feira, a pedido da Folha, fez um balanço (semi) final da 37 edição do festival.
''Tivemos mais espetáculos do que no ano passado e até o fim teremos cerca de 100 mil espectadores, contando com os projetos, os espetáculos de rua e em locais fechados'', contabiliza. ''É um número (de espectadores) que vem se repetindo nos últimos anos, mas com um público que vem se diversificando e se qualificando. No espetáculo da Denise Stoklos (Calendário da Pedra), por exemplo, tinha gente de todas as idades'', lembra o diretor. ''É um público perfeitamente formado e isso tem a ver com o Filo. Se oferecemos algo de qualidade, sabemos que vamos ter uma boa resposta'', explica.
A programação da próxima edição, segundo Bertipaglia, começa a ser pensada lá por agosto e setembro. ''Em outubro começamos a selecionar os grupos internacionais, de novembro a janeiro, é a seleção dos grupos nacionais e locais. Há alguns grupos internacionais que não participam disso porque são convidados. São tantos grupos que se inscrevem que se olharmos nos arquivos teríamos material para mais 10 anos de festival'', conta. ''Mas não há nada definido ainda'', garante.
''São tantos grupos que querem vir para cá. O Filo é uma espécie de grande vitrine para eles, que sabem que vindo para Londrina têm a possibilidade de viajar muito mais'', diz o diretor. Em 1995, o até então desconhecido grupo argentino De La Guarda, se apresentou no ginásio de esportes Moringão. Logo em seguida viajou para Nova York e descobriu o mundo. O grupo está de volta ao Brasil, mas agora na condição de estrela depois que Mick Jagger e outros famosíssimos assistiram (e gostaram) ao espetáculo. A temporada em São Paulo abre amanhã.
''O Filo tem essa característica da inovação, de ser ousado'', avisa o diretor. ''Isso é um dos fatores da grande procura de grupos'', completa. ''Este ano tivemos essa veia para o circo, com o Encontro de Palhaços e o II Seminário Brasileiro de Circo, que não destoa de maneira alguma da programação. Foi mais um elemento que tivemos'', avisa.
Para Luiz Bertipaglia, os destaques desta edição foram Victoria (Canadá), a instalação Arcazzar (Inglaterra), La Forma que se Despliega (Argentina) e L'Odeur du Voisin (Suíça) entre os internacionais. E Calendário da Pedra (São Paulo), O homem da cabeça de papelão (Belo Horizonte), Volta ao dia (Curitiba) e Maria Borralheira (Rio de Janeiro).


