TEATRO - Onde mora a crônica
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quarta-feira, 27 de abril de 2005
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Uma moça ajuda a personagem a subir o zíper da roupa. ''Muita obrigada, muito obrigada''. A mulher em cena chama-se Tita, ''só Tita'', e enquanto aguarda José, ''só José'', toma comprimidos escuros para a dor. Aparentemente, fala coisas desconexas, mas nas entrelinhas é possível vislumbrar um pouco da sua vivência, do que a transformou naquela figura excêntrica. Tita, na verdade, saiu de crônicas de autores de Londrina para ganhar vida em ''Passe em casa - Apologia ao coração das coisas'', espetáculo que o grupo de teatro Solagasta apresenta até dia 7 de maio, de terça a sábado, na Praça Marechal Floriano, ao lado da Catedral, centro da cidade. No local, estão armadas três tendas em forma de casas medido 2 x 2 metros cada e com capacidade para quatro pessoas em que os atores Juana Correia, Mateus Moscheta e Elaine Brito fazem suas performances. As apresentações duram 15 minutos, acontecem simultaneamente e têm entrada franca.
Trata-se de uma colagem de textos de Paulo Briguet, Apolo Theodoro e João Arruda, publicados originalmente na Folha, e reunidos na série ''Crônicas de Londrina''. Foram seis meses de pesquisa até chegar às ações cênicas dos atores. Aprovado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), ''Passe em casa - Apologia ao coração das coisas'' era para ter estreado em agosto do ano passado, dentro das comemorações dos 70 anos de Londrina, mas só agora vem a público em função do repasse da última parcela ter acontecido em janeiro deste ano.
A escolha dos cronistas recaiu pela maneira com que retratam personagens, situações cotidianas e história da cidade, cada um ao seu estilo Apolo mais enveredado à boêmia, futebol e bares, enquanto Briguet e Arruda destilaram lirismo aos seus escritos. O espetáculo inicialmente tinha sido pensado para o Calçadão, mas acabou fincando suas ''casas'' na Praça Marechal Floriano. ''O terreno do Calçadão é irregular e a poluição sonora seria prejudicial'', explica Juana Correia.
No entanto, segundo ela, as apresentações correm o risco de serem suspensas pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) que indeferiu o pedido do grupo para apresentação na praça. ''Estamos aqui à revelia, mas isso não é um protesto. A gente entende que além de ser o local adequado é também um estímulo ao público, inclusive aquele não acostumado a ir a teatro'', diz Juana. Uma coisa é certa: a improvisação e interação dos atores são, com o perdão do trocadilho, espetaculares.
Serviço
- Espetáculo ''Passe em casa - Apologia ao coração das coisas'', com o grupo Solagasta. Até dia 7 de maio, na Praça Marechal Floriano, ao lado da Catedral, em Londrina. De terça a sexta das 14 às 16 horas; aos sábados das 10 ao meio-dia. Apoio: Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Entrada franca.


