Curitiba Ele é tão avesso à imprensa e fotografias que a única prova concreta da existência de Dalton Trevisan é a sua obra. A partir de hoje, parte do trabalho do escritor curitibano pode ser conhecida em ''Em Busca de Curitiba Perdida'', projeto do diretor e ator Jul Leardini e da atriz Lalá Scremin. A obra do contista também vai ganhar projeção nos exemplares da Telelista 2004, que será distribuída aos assinantes no próximo ano.
''Em Busca de Curitiba Perdida'' faz parte do projeto Narrando Dalton Trevisan. Os atores preferem não classificar o espetáculo como uma peça teatral. ''É uma simples narrativa, como nos solicitou o próprio autor. Ele faz questão de que a sua obra seja lida na íntegra, sem adaptações ou modificações e estamos buscando respeitar a vontade dele'', explica Leardini, que classifica a montagem como uma leitura dramática.
Com o projeto, os dois atores pretendem divulgar a obra do contista curitibano, unindo a literatura a elementos cênicos que privilegiam os personagens peculiares criados por Trevisan. Tipos que já são familiares a Lalá Scremin, já que a atriz fez parte do elenco do ''Vampiro e a Polaquinha''. A montagem que adaptou contos de Dalton Trevisan ficou sete anos em cartaz na década de 90.
O projeto ''Narrando Dalton Trevisan'' vai contar com 11 apresentações, passeando por obras variadas do escritor, incluindo ''Pico na veia'', seu mais recente livro. A meta é abordar a cada apresentação uma obra diferente.
Aos 78 anos (nasceu em 14 de junho de 1925), Trevisan continua mantendo o aspecto enigmático que criou desde a década de 40, quando editou a festejada revista Joaquim. Mesmo na época, frequentador habitual da Boca Maldita junto a outros intelectuais que ajudaram a formar a história cultural de Curitiba, já não se deixava fotografar e jamais dava entrevistas. O isolamento lhe rendeu o apelido de ''Vampiro de Curitiba'', título de um dos seus livros publicados.
O ''vampiro'' é considerado um dos maiores contistas do Brasil. Sua obra passou a ser reconhecida dentro e fora do País depois do livro ''Novelas Nada Exemplares'' (1959), que reunia uma produção de duas décadas e rendeu ao autor o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Nos anos seguintes, outras obras e outros prêmios seguiram e seus livros ganharam traduções em espanhol, inglês, alemão, italiano, polonês e sueco. Em 1996, o escritor recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto de sua obra.
Para marcar o reconhecimento do autor, a Telelistas vai inclui na lista telefônica do próximo ano o conto ''Cemitério de Elefante'', também ganhador do Jabuti e do Prêmio Fernando Chinaglia, da União Brasileira dos Escritores. O anúncio da inclusão do conto de Trevisan nos 665 mil exemplares da lista foi feito na semana passada. Em todas as cidades brasileiras em que a telelista é distribuída, foi escolhido um conto de um escritor nascido na região para ilustrar o exemplar.
Em Curitiba, a indicação de Trevisan partiu da Academia Brasileira de Letras. O autor não é membro da academia, mas atendeu a solicitação da instituição e autorizou a publicação do conto. A lista deve começar a ser distribuída em setembro do ano que vem.

Serviço:
- ''Em Busca de Curitiba Perdida'', de hoje a 10 de dezembro, com apresentações somente às quartas-feiras, às 21 horas, no Espaço Arte em Cena (Rua do Rosário, 76 - Largo da Ordem),em Curitiba. Ingressos a R$ 10,00, R$ 8,00 e R$ 5,00. Reservas pelos telefones (41) 225-5577 ou (41) 9115-3343.

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