Curitiba - Tudo o que você sabe sobre o amor pode estar errado. Ou pelo menos sofrendo grande influência dos clichês culturais sem que você perceba. O conceito de que esse sentimento tão propagado pode ser diferente do que aprendemos, está no espetáculo ''Difícil Amor'', que estréia amanhã, em Curitiba. Com texto e direção da catarinense Pagu Leal, a montagem utiliza a metáfora de um edifício espremido entre arranha-céus de uma grande metrópole para contar como personagens aparentemente comuns vivem e sentem o amor nos tempos modernos. São figuras que mantêm paixões triviais ou excêntricas, elevando o amor mais à condição de sujeito do que de objeto.
O texto foi inspirado numa pesquisa que a diretora fez para o curso superior de filosofia, tendo como tema a construção do amor no ocidente. Ela foi buscar na história ocidental elementos para construir o espetáculo, que começou a ser desenhado há quatro meses. ''Quando começamos os ensaios, eu tinha o perfil dos personagens e a temática, mas o texto foi sendo escrito aos poucos'', conta. Ela destaca que essa construção não foi um processo coletivo. ''Ao contrário, foi muito solitário. Eu chegava em casa e escrevia as cenas. Escrever é complicado, parece que sua vida não anda enquanto você não termina o texto'', diz.
A peça conta a história de nove pessoas que vivem no edifício chamado ''Amor''. Qualquer semelhança com os personagens criados por Wil Eisner em seus peculiares edifícios é mera coincidência. ''Os personagens de Eisner têm outras características. Em ''Difícil Amor'', a miséria e a desilusão não estão tão presentes, os personagens são mais interativos'', revela.
Essa é a primeira direção da autora. Radicada em Curitiba há 12 anos e há 10 atuando como atriz nos palcos paranaenses, ela estréia em grande estilo. Conta com um elenco primoroso formado, entre outros, pelo experiente Edson Bueno. O veterano ator e diretor interpreta Nefelibata, um compositor que relembra os áureos tempos enfurnado no terraço do prédio. Ele divide suas histórias e teorias com personagens como a velha camameira Pitosga e o jovem Gentil. Os moradores do prédio têm sua vida abalada quando uma nova residente, Amália, chega ao edifício.
Além de Bueno, integram o elenco Andy Gercker; Dayres de Conto e Claudia Minini. Eles se dividem na interpretação dos nove personagens, que destilam seus amores em 50 cenas, com duração de 1h20. ''A montagem é bem dinâmica'', avisa a diretora. A trilha foi composta especialmente para o espetáculo pelo brasiliense Leonardo Fernandes. A cenografia é de Geraldo Kleina.

Serviço:
- ''Difícil Amor'', direção de Pagu Leal. Estréia amanhã no Teatro Cleon Jacques (Parque São Loureço. De quinta a sábado às 21 horas e domingo às 19 horas até o dia 12 de setembro. Ingressos a R$ 10,00.

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