A sensibilidade da encenação teatral ''As Cidades e os Olhos'', realizada por cegos do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc), vai estar em evidência neste final de semana na Mostra Arte, Diversidade e Inclusão Sociocultural, no Rio de Janeiro. Promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o evento que teve início no dia 2 e segue até 29 de maio privilegia as mais diversas experiências que têm como linha mestra a inclusão dos deficientes no contexto da arte. Do Paraná, ''As Cidades...'' foi o único trabalho de teatro selecionado para participar da mostra; na área de dança, ''Limites em Movimento'', da Limites Cia de Dança, de Curitiba, leva aos cariocas a arte feita por cadeirantes. A mostra também marca os 15 anos de atividades da Associação Vida, Sensibilidade e Arte / Very Special Arts Brasil, pioneira no país em ações específicas e permanentes de inclusão por meio da arte.
A trupe londrinense formada por Tatiane Quadros, Sebastião Narciso, Flávio Cordeiro da Silva e os diretores da peça Alessandro Antonio da Silva e Paulo Braz, que também atua em substituição a um integrante cego que teve que mudar de cidade , segue em viagem ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira. Na bagagem, a satisfação de mostrar pela quinta vez fora de casa o resultado de um trabalho que mostra que a inclusão é possível e bela de se ver. Antes disso, o grupo já se apresentou nas edições de 2003 e 2004 do Festival Internacional de Londrina (Filo), em Arapongas, Maringá, Curitiba e São Paulo, onde mostrou o espetáculo para 700 empresários em evento promovido pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad).
''Eles já estão se acostumando com os aplausos...'', brincou o diretor Paulo Braz. ''Eles não enxergam, mas percebem perfeitamente os aplausos e gostam do reconhecimento. Eles não se excluem. Somos nós que os excluímos'', acrescentou.
O trabalho com os cegos teve início em 2001, dentro do projeto sociocultural ''Expressividade Cênica para Portadores de Deficiência Visual'', a partir de iniciativa do Filo. O primeiro trabalho realizado foi uma oficina de arte de contar histórias. No ano seguinte, os participantes aprenderam técnicas de expressão corporal. Em 2003, o grupo expandiu o trabalho desenvolvido incluindo noções de expressividade corporal e vocal. Por meio de exercícios teatrais lúdicos, poesia sonora e jogos dramáticos, os portadores de deficiência visual treinaram a capacidade de locomoção no espaço cênico através do tato, interagindo com o cenário, usando a imaginação e a criatividade para contar histórias e atuar cenicamente.
''No começo, fiquei um pouco apreensivo sobre como lidar com essa situação nova, mas, depois do primeiro contato, essa sensação passou. Eles têm os outros sentidos muito aguçados e grande talento. Sentem-se felizes em serem incluídos e o trabalho com eles me fez um profissional melhor'', destacou Braz.
O espetáculo é uma criação coletiva baseada na obra ''Cidades Invisíveis'', de Ítalo Calvino, e em textos produzidos por Sebastião Narciso, integrante do grupo, que se descobriu escritor durante o projeto e lançou seu primeiro livro ''Por Detrás dos Olhos'', no ano passado.

Serviço:
- Apresentação da peça ''As Cidades e Os Olhos'', com alunos do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc) na Mostra Arte, Diversidade e Inclusão Sociocultural, realizada de 2 a 29 de maio, no . Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro. Dias 21 (sábado) e 22 (domingo), às 16 e 19 horas.

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