Nova York - Woody Allen tem motivo para passar o fim de ano de mau humor. Uma peça de teatro que brinca com o possível assassinato do cineasta volta a ser encenada em Nova York, ‘‘a pedido do público’’. ‘‘Who Killed Woody Allen?’’, que foi criada a partir de um desentendimento entre uma companhia de teatro e os representantes do diretor, ganha nova temporada a poucas quadras do apartamento de Allen.
  O espetáculo foi criado pela Empty Stage Theatre Company, do circuito off-Broadway, que em 2001 decidiu montar uma das famosas peças de Allen (‘‘Morte’’, que inspirou o filme ‘‘Neblina e Sombras’’, de 1992). Quatro semanas antes da estréia, os advogados dele entraram em contato com os diretores para avisar que os direitos para o roteiro (que haviam sido legalmente adquiridos pela companhia) perderam a validade - e que não havia interesse em renovar o contrato. O grupo teve de cancelar a estréia e engolir os prejuízos.
  Surgiu então a idéia de produzir um texto original - usando o próprio Allen para fazer humor. Dan Callahan, Brendan Connor e Tom Dunn escreveram ‘‘Who Killed Woody Allen?’’, ambientada no velório do cineasta, que teria sido envenenado por algum de seus amigos/atores.
  Fazem parte da lista de suspeitos as atrizes Diane Keaton (a eterna ‘‘Annie Hall’’) e Dianne Wiest (de ‘‘Hannah e Suas Irmãs’’ e ‘‘Tiros Sobre a Broadway’’); os atores Leonardo DiCaprio (que estrelou ‘‘Celebridade’’) e Alan Alda (de inúmeros filmes de Allen); e até o diretor Spike Lee, companheiro de torcidas do diretor nas cadeiras especiais dos jogos dos Knicks.
  Segundo os autores, a peça faz humor ao ‘‘satirizar a cultura das celebridades, as premiações e os assassinatos misteriosos’’. Eles também alegam que deixaram de fora detalhes sobre a vida pessoal do diretor, que se casou com a filha adotiva nos anos 90.
  Allen parece não ter achado graça na piada, adotando o gênero ‘‘não vi e não gostei’’. Como resposta a uma carta-convite para o espetáculo, os produtores receberam um comunicado dos advogados do cineasta, em estilo curto e grosso. ‘‘O Senhor Allen não pode comparecer’’, diz a carta. ‘‘Confiamos que o senhor está se mantendo dentro dos limites da lei quanto ao uso do nome e do personagem de meu cliente. Reservo todos os direitos de meu cliente quanto a este projeto, caso os eventos provem contrário.’’
  O que Allen não esperava era que a peça fosse ter vida tão longa: ‘‘Who Killed Woody Allen?’’ já teve duas bem-sucedidas temporadas em Nova York e agora volta para uma série de apresentações que duram pelo menos até março no Triad Theater. As críticas são sempre positivas, com comparações às melhores comédias de mistério do diretor. Os três autores garantem ser fãs do mentor. ‘‘O ideal seria transformar a peça em filme e ter Allen como diretor’’, disse Callahan.

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