TEATRO - Londrina entra em cena
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sábado, 08 de maio de 2004
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Festival Internacional que se preze tem mesmo que receber espetáculos que venham de outras terras. O Filo, como não poderia deixar de ser, importa mais uma vez grupos estrangeiros para se apresentar na cidade. Da Suíça à República Checa, passando pelos vizinhos de continente Argentina, Chile e Uruguai, são 12 países que terão seus representantes por aqui. Se a notícia é boa para os amantes do teatro, para os talentos locais, a notícia é melhor ainda. O festival londrinense que abre espaço para os importados, também não se esquece dos grupos pés-vermelhos. Para esta edição, foram selecionados 12 montagens produzidas na cidade.
Recém-chegado da África, onde esteve com o Ballet de Londrina, o diretor Leonardo Ramos conta que há semelhanças entre o evento, do qual participou no Zimbábue, com o Filo. ''Eles também têm essa universalidade de convidar outros países e também têm a questão de construir uma identidade local'', conta Ramos.
Como aconteceu por lá, onde a Timbuka Dance Company encerrou o evento, aqui também se escolheu uma produção da cidade para o último espetáculo. No próximo dia 30, na despedida do Filo, o Ballet de Londrina sobe ao palco do Teatro Ouro Verde com ''Fome''. ''De certa forma é um luxo encerrarmos o Filo'', diz Ramos. Para o diretor, é importante representar a cidade fora das fronteiras pés-vermelhas, mas sem se esquecer de construir algo que seja característico daqui.
Para o diretor do Filo, Luiz Bertipaglia, ''a qualidade das produções têm melhorado nos últimos anos. O Boca de Baco, o Ballet de Londrina são exemplos disso'', diz. ''Tivemos mais inscrições este ano, mas alguns grupos acabaram ficando de fora'', conta. ''A participação dos londrinenses no Filo é uma forma de contemplar os trabalhos daqui'', explica o diretor, que lembra que parte dos grupos é patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Até por isso, três turmas de formandos do curso de artes cênicas de Londrina estarão em cartaz nos próximos dias. O primeiro grupo a subir ao palco apresenta ''Assim a triste história uma vez redita'', que abre a mostra local na segunda-feira às 21h30 na Casa de Cultura.
Com 14 anos de estrada, o Boca de Baco é um dos mais antigos grupos em atividade de Londrina. É também um dos que têm mais experiência em se apresentar nos palcos do Festival. Desde 1991, foram seis participações com oito montagens. ''Nesses anos, o grupo participou de oficinas, demonstrações e assistiu a espetáculos em festivais como o Filo, que acrescentaram muito ao nosso trabalho'', diz Nivaldo Oliveira, ator do Boca de Baco e que este ano também é monitor do Projeto de Maio ''Teatro na Penitenciária'', coordenado pela francesa Elizabeth Gonçalves. Este ano, o grupo apresenta ''Balada de um Poema'', de Marcos Losnak e Luiz Valcazaras, e que conta as histórias de internos de um manicômio nos anos 1970.
Entre os estreantes, o grupo Ai que susto! se prepara para mostrar para o público do Filo a montagem ''Eu quero viver de dia''. ''É uma consequência de um trabalho de oito anos com os travestis'', explica o diretor Wiliam Peres. ''Queremos aproximá-los da população falando de desigualdade social, cidadania e Aids'', completa.
''Além da honra de nos apresentar no Filo, evento que é respeitado e tem respeito enorme pelo artista, também há a questão de intercâmbio com outros grupos e a troca de informações'', explica Luciana Bazzo, coordenadora do Plantão Sorriso, conhecido por seu trabalho com crianças internadas. ''O ator tem a necessidade do roteiro, de se aprofundar no personagem, por isso uma montagem é fundamental'', diz. ''O trabalho no hospital é diferenciado, é na base do improviso'', explica Luciana. ''A flor mágica de Timbuktu'' traz clowns fazendo uma abordagem do amor ingênuo.


