Curitiba - O domínio da palavra e a excelência na pantomima se uniram quando dois grupos paulistas O Pia Fraus e os Parlapatões, Patifes e Paspalhões decidiram trabalhar juntos. Lá se vão alguns anos desde que essa parceria começou, mas ela se consagra agora no espetáculo ''Hércules'', resultado de uma série de oficinas ministradas pelos dois grupos. A montagem, a mais cara e gigantesca (no sentido literal da palavra) na história das duas companhias tem estréia nacional hoje, durante o 15º Festival de Teatro de Curitiba.
O mesmo projeto, ofereceu à comunidade paulista oficinas de produção, dramaturgia e alegoria, todas com conteúdo que levaram à criação de 'Hércules'', incluindo texto. O espetáculo tem um cenário inusitado, uma carreta de mais de 13 metros, dois andaimes, uma ambulância além de bonecos gigantescos. ''Quisemos sar uma dimensão alegórica ao espetáculo'', conta Hugo Possolo, dos Parlapatões. Na montagem, os 12 trabalhos de Hércules, da mitologia grega, são trazidos para os dias atuais.
Na maratona, o personagem título tem que enfrentar desafios contemporâneos, como os conflitos econômicos, sociais, além de obstáculos como questões amorosas e de saúde. O roteiro foi desenvolvido durante as oficinas de dramaturgia oferecida pelos dois grupos desde agosto do ano passado. Mas o que as duas companhias querem propôr com a montagem vai além do texto e não se restringe à encenação de Hércules. ''Nós queremos mudar a concepção do teatro de rua no País'', diz Beto Andretta. E quando se trata da força dessas duas companhias, a meta não é mais um desafio a ser enfrentado pelo personagem da mitologia grega e é bastante possível. Principalmente pela dimensão do espetáculo.
Além das gigantescas alegorias, objetos cênicos e bonecos levados para o palco, o grupo propõe alterar a idéia que o público faz do teatro de rua. E isso significa melhorar a recepção à platéia. Para assistir ao espetáculo, que em Curitiba acontece em meio a exuberante paisagem da Pedreira Paulo Leminski, a platéia vai sentar numa arquibancada confortável, ou mais confortável do que ficar em pé, como acontece normalmente.
Outro diferencial é como os próprios grupos encaram a empreitada. ''As pessoas costumam dizer que teatro de rua serve para formar público. Isso não acontece. Não é porque um cara vê teatro de rua, que ele vai ao teatro depois. Nós estamos fazendo essa montagem para mostrar que o teatro pode acontecer em qualquer lugar. Para desmistificar o espaço do teatro e sua exclusão'', diz Andretta.
Depois de Curitiba, o espetáculo será apresentado em quatro pontos da cidade de São Paulo numa temporada de 20 dias. Quanto à turnê nacional, eles esperam que a própria estrutura cultural do País responda se o Brasil tem capacidade para levar um espetáculo desse porte (e tamanho) para outras cidade. ''O papel do artista é criar uma necessidade. Se as políticas culturais corportarem nossa circulação, isso vai acontecer'', conclui Andretta. Entre patrocínio e recursos próprios reciclados o espetáculo custou cerca de R$ 500 mil. Uma outra montagem, com orçamento semelhante, está sendo preparada pelas duas companhias. O espetáculo de circo ''Stapafurdyo'' deve começar a circular em junho e já tem agenda marcada para Curitiba no próximo ano, fora da programação do FTC.
Além de ''Hércules'', a Mostra Contemporânea do FTC reserva para hoje outros cinco espetáculos: ''Auto do Circo''; ''Bakulo - Os Bem Lembrados''; ''O homem é um Homem'', do grupo Galpão ''A Descoberta das Américas'' e a ótima ''Hygiene''

Serviço:
- ''Hércules'', hoje às 20h30 na Pedreira Paulo Leminski. Os outros espetáculos acontecem no Teatro Guaíra (''Bakulo e os bem lembrados''); Ópera de Arame (''O Auto do Circo''); Teatro da Reitoria (Um Homem é um homem); Teatro Paiol (''A descoberta das Américas) e Hygiene (Casa Vermelha). Ingressos a R$ 24,00 e R$ 12,00.

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