TEATRO - Fotonovela em cena
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de novembro de 2003
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
Imagine-se vivendo no ano de 2025, num país onde o governo exige que os cidadãos usem óculos especiais, capazes de maquiar a realidade, transformando-a em fantástica ilusão. Assim é a República das Bananas, país imaginário da fotonovela cênica ''Verás que Tudo é Mentira'', novo trabalho da Cia. de Theatro Fase 3 que estréia hoje em Londrina.
As apresentações acontecem em sessões de 45 minutos, às 20h30, 21 horas e 21h30, no 11º andar do Edifício Júlio Fuganti Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da UEL. Cada sessão é liberada para 22 pessoas. Nos finais de semana à tarde, o espetáculo será apresentado como contrapartida social a grupos e pessoas da terceira idade dos núcleos comunitários do Jardim Interlagos, Conjuntos Ernani Moura Lima e Chefe Newton, Jardim Maracanã e Vila Casoni.
O espetáculo traz 20 atores com idade variada de sete a 71 anos, que conduzirão o público a um labirinto que desvendará a história de extraterrestres que sumiram com todos os óculos e instalaram o caos no país. Coisas estranhas acontecem nessa fotonovela cênica, como o próprio elenco salienta: ''É muito absurdo!''.
O diretor geral João Henrique Bernardi brinca que o roteiro foi baseado em fatos reais: o desaparecimento de óculos dentro do próprio grupo sabe, aquele papo de perder os óculos, procurar e descobrir que eles estão sobre a cabeça?
Na história criada para o espetáculo, dois ETs são os únicos sobreviventes da Terra dos Zóiudos. Perambulando pelo mundo, eles encontram na Lua um maluco beleza conhecido como Raulzito (Fablio Castilho). Por achar o cara gente boa, os ETs resolvem conhecer o planeta em que ele morou. Bem que os dois tentaram entrar no clima da Terra, mas um deles acabou morrendo. Jurando vingança, o sobrevivente começa a roubar os óculos dos terráqueos. A população entra em pânico porque não pode ficar sem os óculos Mega Zóio Power Eyes e muito menos encarar a realidade, que não é tão bela como pinta o governo.
A fotonovela cênica vai apresentar a Sacerdotisa (Edith Sobania), que cultua os dois ETs e, em seguida, levará o público para dentro da história. A primeira vítima é Cici Leblon (Emília Felcar), socialite decadente que entra em desespero ao perder os óculos.
O caso é coberto pela repórter Ana Fala Pelão (Luiza Nogueira) e vira um especial do programa ''Dobro Repórter'', apresentado por Fátima Bondade (Jandira Testa). A atriz Claudete Di Genaro, que integrou o Gruta, extinto grupo de teatro de Arapongas, volta aos palcos no papel da cantora Clodete para interpretar a canção ''Verás que Tudo é Mentira''.
O elenco traz ainda Cecília Garcia, Antonia Machado, Magdalena Cortez, Cacilda Henriques, Bárbara Di Genaro, Bruno Fiori, Yvone Tognolli, Ana Quesada, Alice Brunnetto, Carmen Mattos, Darwin Silva, Maria Pia Guedes, Julia Bahls, Raquel Basilone, Cíntia Grassi e Fabrício Borges.
''Verás que Tudo é Mentira'' explora diálogos entre o teatro e a fotografia. Nos corredores do labirinto, o público vai desvendando a história ao acompanhar plotters com textos e fotografias, seguidos de cenas ao vivo. O diretor conta que a idéia de fazer uma fotonovela é antiga, mas faltava algo que integrasse o trabalho ao teatro.
A parceria com Tati Costa e Daniel Choma proporcionou a execução do roteiro a partir de uma oficina cênico-fotográfica. ''Fomos aprendendo passo a passo. Fizemos todo o processo na Casa das Fases, nosso local de trabalho'', comenta Bernardi. O processo também incluiu laboratórios semanais com temas relacionados a expressão, cotidiano, auto-retrato e memória.
A Cia. Fase 3, que no ano que vem completa 18 anos de existência, iniciou o projeto dessa montagem em junho, com o patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Esta é uma experiência diferenciada na trajetória do grupo, que já montou espetáculos como ''Antígona'', ''Londrina Zona Paraíso'' e ''Chovia na Gente''. ''No início buscamos fazer algo mais no gênero besteirol, mas acabamos trombando com o teatro do absurdo'', diz Bernardi. Para o elenco, encarar essa experiência nova foi um desafio, como pontua Jandira Testa. ''É completamente diferente do que já fizemos. E me preocupa o fato de ter essa relação próxima ao público e em várias sessões. Estou apavorada!'', confessa Edith Sobania.
SERVIÇO:
''Verás que Tudo é Mentira'', fotonovela cênica da Cia. de Theatro Fase 3. Direção geral: João Henrique Bernardi. Estréia: hoje, com sessões às 20 horas, 20h30 e 21h30, no 11º andar do Edifício Júlio Fuganti (Rua Souza Naves, 9), em Londrina. Apresentações amanhã e nos dias 1, 2, 4, 5, 6, 7 e de 11 a 14, nos mesmos horários. Assistência de direção: Tati Costa. Fotografia e comunicação: Daniel Choma. Texto do roteiro: William Mantovanni. Figurino: Jandira Testa. Cenário: Marcia Sawckzuk. Iluminação: Marcos Ribeiro. Preparação vocal: Carlos Beckner. Ingressos: 5,00 (R$ 2,50 para estudantes, idosos e antecipados, das 15 às 19 horas, no local, pelo telefone 3322-6844, 3344-6824 ou 9997-8700 ou e-mail [email protected]). Patrocínio: Promic. Apoio: SH Marabá, Casa de Cultura/UEL e Althaprint Gráfica e Editora.


