Curitiba - Para a diretora Sueli Araújo, que participou da Coletiva de Teatro do FTC, a escolha dos espetáculos da mostra oficial ainda é realizada muito em função do elenco, se eles são ou não conhecidos pelo público geral. ''E eu não sei se isso representa exatamente o que acontece em termos teatrais no País'', diz.
Sueli observa ainda que é preciso encontrar uma maneira de democratizar o festival. ''Os preços dos ingressos são absurdos''. O argentino radicado no Brasil, Fernando Devecchi, que há sete anos mora em Curitiba, revela que não leva os preços em consideração na hora de escolher a programação, principalmente por causa da quantidade de espetáculos na agenda do festival. ''O evento é maior do que a cidade'', opina, complementando: ''Se você compara com o que acontece em Curitiba durante o ano, o festival é muito atrativo''.
Mas é justamente esse excesso de oferta o motivo de reclamação para algumas pessoas que buscam qualidade na hora de assistir aos espetáculos. O diretor Cesar Almeida, que apresentou duas peças no Fringe, disse que a quantidade de peças na agenda se sobrepõe à qualidade das mesmas. ''Está na hora da organização do festival pensar numa maneira de selecionar melhor os espetáculos da mostra paralela. No momento em que o público paga os ingressos, ele pode exigir o mínimo de critério, caso contrário o festival pode perder a credibilidade'', conclui.
O atraso no início dos espetáculos também foi motivo de queixa. ''Eu assisti a sete espetáculos e quase todos tiveram atraso de mais de 30 minutos, acho que isso é um desrespeito com o público'', reclama Maria Alice da Silva. Formada em Ciências Sociais, ela é ''cliente'' cativa do festival e disse que este ano gostou muito do espetáculo paulista ''Dança Lenta no Local do crime'', de Luiz Valcazaras.
A montagem, ao lado de ''Arena Conta Danton'' ganhou destaque do público numa pesquisa informal feita pela reportagem da Folha 2. No Fringe, a pérola da vez foi o espetáculo ''Morgue Story'', do diretor curitibano Paulo Biscaia. Nesta edição, a mostra oficial teve 12 peças e o Fringe, que começou o evento com mais de 200 espetáculos anunciados, sofreu 28 baixas, culminando em 176 montagens apresentadas, vindas de todos os cantos do país.

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