TEATRO - Experimentalismo em cena
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de julho de 2006
Célia Musilli Editora da Folha2<br> De São José do Rio Preto (SP) 
Para onde caminha o teatro contemporâneo? Quais territórios ocupa? E que estratégias utiliza para renovar seus processos? O Festival Internacional de Rio Preto que abriu ontem, às 21 horas, com ''O Moliére Imaginário'', apresentado no Anfiteatro da Represa Municipal pelo Grupo Galpão, de Belo Horizonte se propõe a responder uma parte dessas perguntas, ao eleger para sua sexta edição o tema ''Territórios X Estratégias''. Para dar visibilidade a esse conceito, destaca a linguagem experimental na sua programação, como explica uma das coordenadoras do FIT, Edimeire Piovezam, que também é curadora do evento.
Entre os grupos que melhor expressam o experimentalismo, Edimeire cita a Compagnie Koffi Kôkô que vem de Benin, na África, para estrear no próximo dia 21 o espetáculo ''Les Feullies Qui Résistent au Vent'' ou ''As Folhas que Resistem ao Vento''. Para representar a resistência metafórica das folhas - que é também uma resistência cultural foi reunido um imponente elenco que realiza uma fusão das linguagens do teatro e da dança fazendo uma viagem pelos ensinamentos da vida, desde as tradições espirituais até a contemporaneidade. Em cena, estará a vibração dos atores/bailarinos embalados por forte percussão que imprime mais força aos seus movimentos. O espetáculo será apresentado ao ar livre, debaixo de uma gigantesca seringueira no pátio da Swift, antiga fábrica que já foi convertida, há alguns anos, em palco alternativo do FIT. Detalhe inusitado: no espetáculo ritual, bailarinos dançam sobre troncos muito altos, atingindo um estado de transe como se fossem folhas ao vento. A companhia Koffi Kôkô é reconhecida em todo o mundo como uma representante das inovações da dança contemporânea africana.
Ainda dentro do formato experimental do FIT, destaca-se o Módulo Ocupação que todos os anos traz a cidade um grupo que apresenta três espetáculos mostrando seus processos e sua trajetória. Nesta edição a convidada é a Cia dos Dezequilibrados (assim mesmo, com z) do Rio de Janeiro, que estréia ''Vida, o Filme'', hoje, às 19 horas, no espaço Swift Chaminé. A montagem aborda a espetacularização da indústria do entretenimento e sua interferência na realidade moderna. O espetáculo fica em cartaz até segunda-feira. Entre os dias 18 e 20, a mesma companhia apresenta ''Dilacerados'' e , finalmente, entre os dias 21 e 23 mostra o espetáculo ''Combinados''. Durante as apresentações, o público será acomodado de formas diferentes, podendo ocupar desde as cadeiras das mesas de um bar até as tradicionais arquibancadas.
Ontem, às 23 horas , o público do festival também entrou em contato com o Projeto Uroborus, que estreou na rodoviária de Rio Preto a montagem que é considerada a mais longa de todos os tempos: serão 192 horas de encenação ininterrupta, até o dia 22, com voluntários e atores profissionais se revezando no palco interpretando uma colagem de textos de vários dramaturgos, preparada pelo crítico teatral da Folha de S.Paulo Sérgio Coelho. Repete-se assim, de forma prolongada, a apresentação que já deu o que falar no espaço do grupo Os Satyros, em São Paulo, onde a mesma encenação foi feita de forma mais compacta, em 78 horas.
Também ontem à meia-noite, a platéia experimentou o clima sobrenatural proporcionado pelo espetáculo ''Assombrações do Recife Velho'', apresentada num antigo manicômio pelo grupo paulistano Os Fofos Encenam. A montagem de arrepiar fica em cartaz até o dia 23, quando termina o festival. Mas esta é uma outra história.
O FIT é uma realização da prefeitura de São José do Rio Preto em parceria com o Sesc. Tem a Petrobras como apresentadora e como patrocinadores os Correios e a Caixa Econômica Federal.
A jornalista viajou a convite da organização do evento


