TEATRO - Espelhos da vida
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de novembro de 2003
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
A solidão e a relação com perdas afetivas permeiam as histórias de quatro mulheres que chegaram ao seu limite na vida. Quatro faces que podem ser vistas de ângulos diferentes no espetáculo ''Infinito'', primeira montagem da Cia. Ciclos de Teatro, que estréia hoje em Londrina, às 21 horas, na Usina Cultural. Patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), o espetáculo fica em temporada até 16 de novembro, de terça-feira a domingo, às 21 horas, com sessões extras aos sábados e domingos, às 18h30.
O trabalho é uma criação coletiva de sete atores formados e estudantes do curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina: Beatriz Miguez, Cynthia Margareth, Ed Sombrio, Eduardo Silva, Joice Lima, Luis Fernando Silva e Suzana Proença. A direção é de Ed Sombrio e Úrsula Uhlmann.
''Infinito'' partiu da idéia de quatro personagens femininas em situações que ressaltam o que elas fazem no seu espaço quando estão sozinhas. Com um roteiro básico nas mãos, Ed Sombrio elaborou um questionário com 68 perguntas, como nome da personagem e relação com a família. Sem ter conhecimento prévio do questionário, cada ator produziu seu material de trabalho. ''Juntamos as respostas de dois em dois e fomos construindo as histórias. As ações partiram de improvisações de frases propostas em ensaios'', detalha.
As mulheres de ''Infinito'' são personagens que, segundo Ed Sombrio, esperam o retorno de um passado que não volta e parecem estar mortas em vida. A primeira é uma divorciada recente, alcoólatra, do tipo maternal. Cuida excessivamente dos que estão ao seu lado, fato que destruiu seu casamento. Ela passa o tempo bebendo, reclamando e esperando o ex-marido. No entanto, não consegue esconder o ódio que se mistura a um amor atordoante.
A segunda mulher é uma jovem viúva que acaba de perder o marido, a quem amava muito e com quem vivia feliz. Não conseguiu se recuperar do choque e passa o tempo esperando que aquela suposta felicidade retorne. A terceira, uma jovem solteira, perdeu a mãe cedo e foi criada pelo pai ausente. É incapaz de sustentar relações duradouras e intensas e vive a maior parte do tempo sozinha, à espera de alguém que nunca chega. Ela é uma espécie de narradora do espetáculo.
Uma jovem esposa de classe média que vive com o marido é a quarta mulher da peça. Na verdade, eles são um espelho do casal divorciado. Passam o tempo todo juntos. Ela vive para organizar a casa e cuidar de seus bibelôs, obsessão que vem destruindo sua relação conjugal. O marido resolve, então, exteriorizar tudo o que nunca teve coragem.
Além do texto coletivo, a companhia utilizou fragmentos da obra de Julio Cortázar e se baseou nas relações implícitas em textos de Caio Fernando de Abreu e Clarice Lispector. A trilha sonora mescla Massive Atack, MadreDeus, Meredith Monk e outros. O espetáculo mostra as situações das personagens simultaneamente, como se estivessem em suas casas. O público não participa da cena, mas é posicionado no meio dos quatro espaços construídos como cenário. O local tem capacidade para 30 espectadores por apresentação.
Serviço:
- ''Infinito'', espetáculo da Cia. Ciclos de Teatro. Estréia: hoje, às 21 horas, na Usina Cultural (Avenida Duque de Caxias, 4159 esquina com Rua São Salvador), em Londrina. Temporada até 16 de novembro, de terça-feira a domingo, às 21 horas, com sessões extras aos sábados e domingos, às 18h30. Direção: Ed Sombrio e Úrsula Uhlmann. Cenário: Ed Sombrio, Lara Galvão e Úrsula Uhlmann. Figurinos e iluminação: criação coletiva. Trilha sonora: Úrsula Uhlmann. Duração: 50 min. Idade mínima: 12 anos. Patrocínio: Promic. Apoio: Funcart, Sesc-Londrina e Usina Cultural. Ingressos: R$ 4,00 (R$ 2,00 para estudantes, idosos, classe teatral e funcionários da Prefeitura). Reservas: (43) 3344-6125 (Ed), 3324-6721 (Úrsula) ou 9118-0339 (Cynthia).


