Curitiba - Entre os anos de 2001 e 2003, o diretor paulista Luiz Valcazaras fez várias viagens a Londrina, quando trabalhou com o grupo local Boca de Baco. Foi numa dessas incursões que ele encontrou num sebo da cidade o livro ''Dança lenta no local do crime'', de Willian Hanley. Valcazaras levou o texto para São Paulo onde desenvolve um intenso trabalho de pesquisa com o Núcleo de Investigação Teatral e no ano passado decidiu adaptar o livro do autor americano para o teatro. A montagem tem esperada apresentação, dentro da programação do 14º Festival de Teatro de Curitiba, de hoje a segunda.
A expectativa se justifica porque Valcazaras foi responsável por uma das melhores montagens que já participou do festival: ''Anjo Duro'', monólogo com Berta Zemel apresentado em 2000. Mas o diretor avisa que são trabalhos distintos. '''Anjo Duro' era um texto meu, fiquei dois anos investindo nele. Já 'A dança lenta' tem um processo diferente. Estamos ensaiando há três meses, um tempo relativamente curto'', observa. A peça conta a história de uma moça grávida (Regiane Alves) que encontra dois estranhos personagens num armazém. Originalmente, a cena se passava numa loja de conveniências do Brooklin, EUA, mas o diretor adaptou a montagem para uma armazém tipicamente brasileiro.
''Sempre que passava por um desses armazéns do interior ou das periferias da cidade achava que alguma coisa podia acontecer ali. São cenários muito interessantes'', observa Valcazaras. Para levar o texto ao teatro, ele também descartou toda referência americana da montagem. O cenário e o encontro inusitado dos três personagens servem de pano de fundo para acender um debate sobre a hipocrisia da sociedade, sem distinção de tempo e espaço. ''É uma situação limite que evoca uma série de discussões'', salienta Regiane Alves.
Esse é o primeiro trabalho da atriz com Valcazaras. Regiane confessa que foi um processo complicado de criação da personagem.''Ela é uma garota classe média, grávida e cheia de problemas. É diferente do que eu sou como pessoa'', conta. Rosie, a personagem vivida pela atriz, entra no armazém de Glas. O ator e diretor Antônio Galleão, que vive o dono armazém, revela que este é um personagem difícil, sem muito texto, mas que dá ótimas possibilidades de interpretação. Integra o elenco, o ator Rogério Brito, que também trabalha pela primeira vez com o diretor.
Depois de Curitiba, o espetáculo retoma temporada em São Paulo e está cotada para participar do Festival Internacional de Teatro de Londrina, em junho. Além de ''A dança lenta do local do crime'', o festival apresenta hoje, dentro da Mostra Contemporânea, ''A Última Viagem de Borges'', ''A Maldição do Vale Negro'' e ''Os três porquinhos'', dentro da Mostra Infantil. Horários, locais e mais informações sobre as montagens e os espetáculos que integram o Fringe podem ser encontrados no site do evento www.festivaldeteatro.com.br

Serviço:
- ''Dança lenta no local do crime'', hoje no 14º FTC, no Teatro da Unicemp (Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300). Ingressos a R$ 24,00.

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