Curitiba Menina dos olhos dos artistas paranaenses, o Teatro de Comédia do Paraná está de volta. Lançado originalmente em 1963 para coordenar as atividades teatrais do Teatro Guairá, o núcleo teve em Cláudio Corrêa e Castro seu primeiro diretor. Passados 41 anos, e muitas idas e vindas, o Teatro de Comédia já tem data e peça marcada para voltar aos palcos do Guairinha: hoje, com a estréia de ''Medeamaterial'', de Heiner Muller. Na direção uma jovem artista uruguaia: Mariana Percovich. No palco, misturada a um grupo de jovens atores, aparece como artista em participação especial uma veterana e pioneira no teatro paranaense: Lala Schneider.
O retorno do Teatro de Comédia do Paraná marca uma nova era no Teatro Guaíra. A idéia do resgate do projeto é não jogar fora uma história de grandes peças estreadas por nomes também valiosos para o teatro nacional. Pelo Teatro de Comédia já passaram nomes como Felipe Hirsch, premiado diretor paranaense que atua hoje mais fora do Estado do que dentro; e nomes como a Ary Fontoura, Odelair Rodrigues, Nicete Bruno, Paulo Goulart e muito mais.
Agora a diretora do Guaíra, Nits Jacon, escolheu Mariana para dar uma nova virada no astral do projeto. ''Ela tem um currículo invejável. Veio para cá e fez audição com mais de 150 atores para escolher dez. Uma outra coisa interessante é que não sabíamos que Lala havia se candidatado'', disse Nitis Jacon
A história de Lala participar do espetáculo é um capítulo à parte. Grande conhecida do teatro e também da televisão, a atriz já carrega mais de 50 anos de vida artística. ''Eu era amadora do teatro de adultos do Sesi. Fiquei 13 anos assim. Aí Cláudio Corrêa e Castro foi convidado para dirigir o Teatro de Comédia do Paraná e montou 'Um Elefante no Caos', de Millôr Fernandes e me convidou para fazer. Eu era mãe de Paulo Goulart na peça e Nicete era namorada dele na peça. Eles já eram casados na vida real. Foi uma coisa maravilhosa para mim. Todas as peças eu lembro muito. Foram montadas nove peças e eu fiz sete. Eu tenho um grande carinho por ele. Quando ele entrou em recesso eu senti demais, porque foi onde iniciei meu profissionalismo.''
Lala conta a forma que entrou ''pela porta da frente'' na montagem de ''Medeamaterial''. Como qualquer outro artista foi fazer a audição e acabou sendo escolhida pelo próprio talento. ''Eu soube que teria teste para a peça. Me candidatei e vim fazê-lo. Os amigos diziam: 'Lala você tem que fazer teste?' E eu respondia: Mariana não me conhece. A diretora é estrangeira e é muito justo. Eu vim e é tudo feito com jovens. Tem muito corpo e movimento. E ela disse: 'mas o que é que eu vou fazer com essa senhora? Eu tenho que colocar essa senhora'. Ela me contou depois.''
Inicialmente, segundo Lala, a diretora não sabia como encaixá-la. Ela seria então um personagem simbólico. Iria andar em cena e só. ''Eu fui fazendo. E um dia eu disse: como é difícil fazer personagem simbólico. De repente ela me deu uma participação linda e maravilhosa. Eu abro o espetáculo. Depois tenho uma cena com a personagem principal. E estou muito feliz.''
Para a diretora, o convite foi uma coroação de seu trabalho já feito anteriormente no Brasil. Ela já é antiga conhecida de Nits Jacon do Festival Internacional de Londrina, o Filo. ''É uma grande responsabilidade para mim. Eu conheço a história do Teatro de Comédia do Paraná. É uma experiência única. Fiz o teste com 170 atores. Eu não conhecia ninguém. Fiz o teste sem saber quem era Lala Schneider e escolhi uma turma jovem, boa, atlética, já que o espetáculo tem bastante esforço físico.''
Sobre o espetáculo, Mariana quer fazer uma reflexão sobre o mito da Medéia, do cênico e de Eurípedes e ao mesmo tempo trabalhar os tempos contemporâneos, o presente e o futuro da humanidade. ''Queremos voltar para o futuro. O que pode acontecer conosco se tomamos conta de certas coisas? Falamos da conquista, da anexação de terras, das guerras, das vinganças e também de uma paisagem desolada. Apesar de ser um texto do Século XX para ser utilizado no 21 tem uma vigência impressionante.''


Serviço
- Medeamaterial. De 27 a 30 de maio, de 1 a 6 de junho, e de 8 a 13 de junho, de terça-feira a sábado, às 21 horas; e domingos, às 19 horas. As apresentações serão no Guairinha em Curitiba. Ingressos: R$ 10 (de terça a quinta-feira) e R$ 12 (de sexta-feira a domingo).

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