A violenta realidade de uma cela com 14 presos amontoados, disputando espaço e poder, em situações-limite de angústia, desespero, medo. Homens vivendo em um cubículo, expostos a um jogo de intenções no qual a sexualidade entra em questão. Situações marcadas por brigas, desconfianças e, acima de tudo, uma extrema crueldade que leva ao inevitável. É esse universo que a Cia. Tusc.u.s de Espetáculos leva ao palco com a montagem de ''Barrela'', de Plínio Marcos. A estréia acontece hoje em Londrina, às 21 horas, com temporada na Escola Municipal de Teatro.
Para dirigir o espetáculo, a companhia convidou Tanah Corrêa, de São Paulo, conhecedor da obra de Plínio Marcos e com o qual atuou em vários trabalhos. Há um mês ele está na cidade conduzindo a montagem, que tem direção adjunta de Silvio Ribeiro.
''Barrela'' (que na gíria dos presos significa ''curra'') foi o primeiro texto de Plínio Marcos, escrito em 1958, quando o autor tinha 22 anos. Considerada pornográfica e escandalosa, ficou censurada por 20 anos. A peça é baseada em fato verídico ocorrido em Santos com um rapaz que foi violentado na cadeia e, ao sair, matou todos os envolvidos.
Esta é a primeira direção de Tanah Corrêa para ''Barrela''. No entanto, ele participou como ator da primeira montagem do texto, em 1978. ''Fizemos uma apresentação secreta no porão do TBC, na época em que se completavam os 20 anos de censura da peça'', relembra. ''Com a anistia, veio o processo de liberação. Montamos o texto com direção de Plínio Marcos e Renato Consorti''.
A direção para a montagem londrinense, segundo Corrêa, é reflexo do trabalho realizado na década de 70. ''Na época, adicionamos uma série de personagens ao texto, que originalmente era feito por nove atores. Em 1958, a lotação carcerária era menor. Então procuramos retratar a realidade atual''.
Tanah Corrêa também destaca que a proposta da Tusc.u.s partiu do trabalho com possibilidades diferentes e com atores locais de vários níveis de experiência, inclusive estreantes. O elenco reúne Rogério Costa e Luiz Eduardo Pires (da Cia Tusc.u.s) e 12 convidados: Alexandre Simioni, Davi Rosa, Tonico Francisco, Sergio Mello, Eric Mago, David Gonzáles, Dennis Borioli, André Martins, José Guilherme Fidelis, Francis Clay, Marlon Carraro e Roberto Lopes. ''Esse trabalho carrega um valor por reunir essas diferentes experiências no palco. Cada um deles vai levar para suas atividades uma grande vivência'', destaca Silvio Ribeiro.
''Barrela'' é o terceiro texto de Plínio Marcos encenado pela companhia. A Tusc.u.s também já montou ''Dois Perdidos Numa Noite Suja'' (2002) e ''Oração Para Um Pé de Chinelo''(2003). Além disso, fez uma leitura de ''Dois Perdidos...'' com participação de Alexandre Borges e direção do próprio Corrêa.
Para Luiz Eduardo Pires, que interpreta o personagem Tirica, a nova experiência com a obra de Plínio Marcos exige uma grande crueldade, que é incitada a todo momento no elenco. ''O mais difícil nesse processo foi passar um mês preso, sem dormir'', comenta Pires. Durante 30 dias, os ensaios consumiram madrugadas do elenco, que se reunia para o trabalho a partir das 23 horas. ''Lá pelas quatro da manhã a gente ia para casa, mas quem diz de conseguir dormir'', relata. Foi com essa entrega que o elenco buscou mergulhar num submundo em que ninguém sai como entrou.


SERVIÇO:
''Barrela'', de Plínio Marcos. Com a Cia. Tusc.u.s de Espetáculos. Estréia: hoje, às 21 horas, na Escola Municipal de Teatro (Rua Acre, 315), em Londrina. Temporada: até 31 de agosto, aos sábados e domingos, às 21 horas. Ingressos a R$ 5,00 e R$ 2,50. Patrocínio: Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Duração: 60 minutos. Recomendado para maiores de 16 anos.

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