TEATRO - Da literatura para o palco
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quinta-feira, 18 de março de 2004
Candice Dequech<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Estréia hoje, às 21h30, na Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba, o espetáculo ''O Que Diz Molero'', baseado em um romance português, a única obra do escritor Diniz Machado, da década de 70. Sob a direção de Aderbal Freire Filho, o espetáculo conta a história de dois investigadores que analisam um dossiê escrito por Molero, um terceiro investigador, a respeito da vida do Rapaz (interpretado por Chico Diaz): sua infância, juventude, seus poemas, viagens e mais de 200 personagens, encenadas pelos seis atores que compõem o elenco.
A peça é a segunda da companhia Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, do Rio de Janeiro, definida pelo diretor como um ''romance-em-cena'', gênero que ele mesmo inventou com o espetáculo ''A Mulher Carioca aos 22 Anos'', em 1989. ''Não há adaptação, eu passo todo o texto para o palco, inclusive as narrações'', afirma.
''Eu comprei este livro no Rio de Janeiro, na década de 70, em uma livraria chamada Camões. Depois, nunca mais o vi exposto em nenhuma outra livraria. Adorei o romance e decidi reproduzi-lo em forma de espetáculo teatral. O romance é ótimo. Foi o maior fenômeno de vendas em Portugal, com mais de 100 mil exemplares que se esgotaram nas livrarias'', conta o diretor. O texto é escrito em forma de diálogo, o que traz dinamismo ao espetáculo. Além disso, cada personagem narra sua história em 3 pessoa, simulando um afastamento entre o personagem e o narrador que, na verdade, é ele mesmo. ''O afastamento está em cena. O ator pode abraçar o personagem, a si próprio, porque ele está longe. É genial'', disse Aderbal Freire Filho.
O público, segundo a atriz Raquel Iantas, reagiu muito bem, com muita apreciação. ''Esperamos que o mesmo aconteça em Curitiba'', diz o diretor. De acordo com ele, o espetáculo, é diferente em quase todos os aspectos do estilo de peça mais tradicional e comercial. As diferenças estão no enredo, no tipo de narrativa e no próprio tempo de duração. ''Nos festivais de teatro, as pessoas procuram algo diferente'', argumenta. Embora a peça comece tarde, segundo Aderbal Freire Filho, o público dos festivais também não está tão preocupado com horários. ''Eles não ligam de dormir tarde. Querem mais é se divertir.''
A peça tem duração aproximada de quatro horas. Por isso, ele optou por fazê-la em três atos, com dois intervalos de aproximadamente 15 minutos. ''Pensei até num esquema de carimbar o ingresso na saída, caso a pessoa decidar ir embora entre um ato e outro, e decida retornar outro dia para terminar de assistir ao espetáculo. Mas, acabou não dando certo. Também chegamos a cogitar a hipótese de fazer uma versão ''trailler'', mais curta. Assim, quem gostasse do trailler poderia assistir a peça'', brinca Aderbal Freire Filho.
''O Que Diz Molero'' estreou ano passado no Rio de janeiro, e foi indicado a três premiações do estado: melhor diretor, melhor ator e a performance de Orã Figueiredo.


