TEATRO - Com a palavra, o dramaturgo
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quarta-feira, 19 de maio de 2004
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
Aos 41 anos, o londrinense Mário Bortolotto diz ser um artista que acredita, sobretudo, em seu próprio trabalho. Nome de destaque no cenário teatral principalmente paulistano , o dramaturgo vem conquistando seu espaço. De volta à cidade para apresentar ''A Noite Fria que a Chuva Traz'' no Filo, encontrou uma platéia que o aplaudiu de pé. Claro que um ou outro espectador acabou saindo da sala por não se identificar com o trabalho ou por achar o pacote indigesto...
Da mesma forma, o trabalho de Mário Bortolotto vêm encontrando admiradores de um lado e, de outro, pessoas avessas ao que faz. ''Se ligasse para críticas, teria parado de fazer teatro há muito tempo'', dispara. ''Sei o que estou fazendo, por isso uma crítica ruim não me derruba e nem uma crítica positiva me sobe à cabeça. O artista não deveria prestar atenção nisso. Tem gente demais metendo o bedelho no trabalho dos outros''.
Bortolotto ultrapassou os 20 anos de carreira para conquistar indicações, prêmios e ter suas peças procuradas e montadas por muita gente. No entanto, ele assegura que pouca coisa mudou em sua vida. ''O que mudou foi que tem mais gente querendo me entrevistar. E que consegui comprar uma quitinete, depois de 22 anos de trampo. É muito tempo, né...''.
Sobre as possibilidades que poderia ter abraçado nesse tempo todo, ele resume: ''Não acho que teatro seja a salvação. Gosto de tevê, cinema, literatura, música. Mas gosto de fazer meu trabalho onde tenho liberdade. Não sou defensor do teatro. O Antunes (Filho) é. Eu defendo o meu trabalho. Não tenho preconceitos''.
Autor de mais de 40 peças, Bortolotto ressalta que nunca abriu mão de fazer o que gosta. ''E não cedo mesmo. Claro que tem coisas que fogem ao meu controle'', assume. Exemplo disso são as recentes montagens de textos seus pelo consagrado ator Raul Cortez (''Fica Frio Uma Road Peça'' e ''À Meia-Noite um Solo de Sax na Minha Cabeça'') o que foi encarado como surpresa por muita gente. ''A direção não é minha. Os caras tentaram colocar uma embalagem chique no texto que não funciona. Mas o público foi ao Teatro da Faap em São Paulo para ver Raul Cortez, não a dramaturgia do Mário Bortolotto'', comenta.
Bortolotto diz que está ficando velho, chato e cada vez mais intolerante, principalmente com o modo de viver dos bem-sucedidos é isso que ele aborda em ''A Frente Fria que a Chuva Traz''. Mas diz que não tem nada contra quem ganha dinheiro. ''Não fiz voto de pobreza. Adoro dinheiro. Com ele posso beber meu uísque, comprar mais CDs, livros... posso pagar melhor os atores. Só que quero ganhar dinheiro fazendo o que gosto''.
Mário Bortolotto está preparando novos trabalhos. ''Continuo escrevendo muito. A toda hora. Estou escrevendo um romance, uma peça nova que deve estrear em setembro e um monte de outras coisas'', finaliza.


