TEATRO - 'Amores Surdos' estréia no festival
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de março de 2006
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Todas as histórias do mundo já foram contadas. Mas sempre existe uma nova abordagem capaz de chamar a atenção e fazer com que todos os sentidos se voltem ao assunto. Em ''Amores Surdos'', que tem estréia nacional hoje, dentro da grade do 15º Festival de Teatro de Curitiba, o grupo mineiro Spanca! fala de uma família tradicional. A temática só parece batida para quem não conhece o trabalho da jovem companhia, responsável pela bem-sucedido espetáculo ''Por Elise'' (em cartaz no Fringe, no ano passado e com apresentações marcadas na Alemanha, em junho próximo), e que é capaz de desconstruir e orquestrar um tema com precisão cirúrgica e divertida.
''Amores Surdos'' é o segundo trabalho do grupo, que trabalha com uma dramaturgia própria. O texto, assim, como ''Por Elise'', foi escrito por Grace Passô e dessa vez é dirigido por Rita Clemente. No elenco, Gustavo Bones, Marcelo Castro, Paulo Azevedo e Samira Ávila. O interessante é que o grupo sai da rua, espaço em que acontecia o primeiro espetáculo, para um teatro convencional. No caso da estréia em Curitiba, não apenas em um teatro comum e sim no imponente Guairão.
Mas como a companhia não aposta em características convencionais na sua pesquisa, em ''Amores Surdos'' não é diferente. O espetáculo, um dos primeiros da grade do FTC a ter todos os ingressos esgotados, ignora os quase 3 mil lugares da platéia do maior teatro de Curitiba para delimitar a encenação ao espaço do palco. Assim, os lugares para o público são limitados a apenas 200 pessoas.
A montagem dá continuação ao processo de pesquisa iniciada pelo grupo, mas traz novos elementos. Apresentar o espetáculo num teatro convencional, é um deles, assim como a utilização de cenários e figurinos que ressaltam a idéia de assepsia que os personagens apresentam. Mas nesse caso, a pesquisa foi além. A companhia começou o processo de ensaio em novembro do ano passado, depois de ter o roteiro aprovado por um concurso da Fundação Clóvis Salgado, de Belo Horizonte.
Com R$ 32 mil para montar o espetáculo, o grupo investiu na preparação vocal, em aulas de sapateado e até de yoga. ''Nós acreditamos que tudo acontece a partir do ator e através do ator. Por isso, ele tem que estar preparado. Tem que ser completo'', diz a diretora Rita Clemente. Para ela e para os atores, o processo de pesquisa para a montagem teve resultados além do espetáculo final. ''Foi também um processo de formação do grupo, de consolidar algumas coisas que nós acreditávamos e investigar novas possibilidades'', ressalta o ator Paulo Azevedo.
''Amores Surdos'' utiliza uma família como metáfora para falar sobre as relações auditivas que as pessoas mantém. A família é estruturada em pais, mãe e cinco filhos, mas alguns desses personagens não estão em cena. ''Como o pai, pro exemplo. Mas um pai ausente em uma família é bastante presente'', exemplifica Grace. O espetáculo acontece de hoje a domingo, no Guairão, mas os ingressos estão esgotados.
Além da montagem mineira, entra em cartaz hoje ''Nossa Casa de Boneca'', do grupo paulista Teatro de Narradores. O texto de Henrik Ibsen teve tradução de Aderbal Freire Filho e foi dirigido por José Fernando Azevedo. Ainda na grade da mostra oficial de hoje, ''A mulher desiludida'' e ''Hygiene''.
Serviço:
- 15º Festival de Teatro de Curitiba. Ingressos a R$ 24 e 12,00 para a Mostra Oficial. Programação completa no www.festivaldeteatro.com.br


