TEATRO - 'A Serpente' em cartaz
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de setembro de 2005
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
Sempre chega a hora de Nelson Rodrigues para quem faz teatro no Brasil. Agora é a vez de Débora Falabella, que estreou no dia 7, na Casa de Cultura Laura Alvim, ''A Serpente'', última peça do dramaturgo morto há 25 anos. A direção é de Yara de Novaes, parceira desde Belo Horizonte (cidade de origem das duas). Débora é Guida, mulher bem casada que cede o marido à irmã, infeliz com o companheiro. Nada mais rodriguiano, mas a ação sai do subúrbio carioca para um apartamento, possivelmente na zona sul do Rio. Embora neste texto ele mantenha seu jeito de falar de outros tempos, Débora não tem dificuldade de dizê-lo. ''É fácil porque, sem ser coloquial, Nelson tem uma história perfeitamente construída'', explica Débora.
Yara minimiza o fato de duas mulheres enfrentarem um texto de Nelson, um dramaturgo com uma visão totalmente masculina. ''Ele tem recorrências, mas de uma forma que está além do juízo de gêneros'', ressalta Yara. ''Trata de demências com tamanha grandeza que o viés masculino desaparece''. E Débora completa. ''Acaba virando uma crítica ao machismo.''
As duas prevêem longa carreira para o espetáculo, seguindo o sucesso de Noites Brancas, que ficou mais de um ano em cartaz.
Hoje, excepcionalmente, deixamos de publicar a coluna 'Blues' de Kiko Jozzolino.


