Um ator, 43 personagens diferentes. Esse é o quadro que o público vai encontrar no palco em ''Shylock'', primeiro espetáculo estrangeiro do Festival Internacional de Londrina (Filo), apresentado pelo ator Manel Barceló, da Espanha, hoje e amanhã, no Teatro Zaqueu de Melo.
O espetáculo parte da figura de Túbal, personagem que quase passa despercebido na comédia ''O Mercador de Veneza'', de William Shakespeare. Nessa montagem, ele se transforma num protagonista que se converte em outros 43 tipos: soldados, bispos, rei, percorrendo 400 anos de teatro e mais de dois mil anos de marginalização do povo judeu. Além de abordar esse tema, ''Shylock'' revive grandes acontecimentos do passado. É uma divertida e mordaz reflexão sobre a exclusão social.
Em Shakespeare, Túbal é apresentado pelo amigo Shylock apenas como um rico hebreu de sua tribo. No texto do inglês Gareth Armstrong, dirigido por Luca Valentino, o personagem passa a observar os fatos históricos sob um ângulo privilegiado, com um trabalho que passeia da ironia à comoção. Túbal se expressa de um modo sarcástico e fatalista, e apesar de todos os infortúnios, não demonstra ressentimento. Ao longo da trama, tenta desfazer a imagem de judeu maldoso que todos tinham de Shylock no século XVI, enquanto narra as peripécias dos hebreus pela Europa.
Em cena, apenas o ator e uma mala, num trabalho que traz uma linguagem parecida com a utilizada no teatro-cabaré. O espetáculo tem 1h50 de duração (com intervalo de 10 minutos).
''Shylock'' já foi apresentado em festivais da Europa e dos Estados Unidos, sendo um dos espetáculos mais aplaudidos da temporada 2002 no Festival Internacional de Almada (Portugal). Manel Barceló recebeu o Prêmio Cidade de Barcelona por sua atuação.
O trabalho é produzido pela companhia Vania Produccions, fundada em 1996 por ex-produtores de canais de televisão. Em 2000, a produtora iniciou contratos para produzir e distribuir montagens de dança, música e teatro em festivais internacionais.


Serviço:
- ''Shylock'' Monólogo do ator Manel Barceló, da Espanha. Autor: Gareth Armstrong. Tradução: Joan Sellent. Direção: Luca Valentino. Assistente de dramaturgia: Rebecca Simpson. Cenografia: José Menchero. Figurino: Mariel Soria. Máscara: Guerrino Lovato-Mondonovo. Consultor musical: Alberto Jona. Iluminação: Quico Gutiérrez. Apoio: Ministério da Educação Cultura e Esporte da Espanha. Duração: 1h50.
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