TEATRO - A economia entra em cena
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sábado, 05 de março de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Terceiro sinal, as cortinas do teatro se abrem, dando espaço para um produção espetacular. Cenários gigantescos, figurinos de época, acessórios mirabolantes. Até bem pouco tempo ainda era possível encontrar todas essas características no teatro com bem mais frequência do que acontece hoje. As tendências mudaram ou os diretores estão tendo que se adequar à uma realidade econômica que nem sempre acompanha os rompantes criativos? Os diretores e produtores teatrais entrevistados pela Folha 2 se dividem na resposta, mas são unânimes ao analisar que a crise financeira vivida pela cultura brasileira está levando o teatro a trabalhar com um trinômio essencial: ator, texto e direção, deixando de lado as superproduções.
O ator e diretor Márcio Abreu, que dirige o único espetáculo que representa Curitiba na Mostra Contemporânea do Festival de Teatro de Curitiba, que começa no próximo dia 17, diz que tem feito cada vez menos ''espetáculos e cada vez mais 'peças'''. ''Não é que eu negue as grandes produções, mas o teatro não engana mais ninguém. Não dá para usar figurinos e cenários como alegorias, há que se ter um diálogo com o restante da montagem'', argumenta. Ele dirige ''Daqui a duzentos anos'', espetáculo que leva para o palco três contos de Tchecov, com Luis Melo no elenco.
A montagem não tem patrocínio, mas conta com a estrutura de montagem do Ateliê de Criação Teatral (ACT), mantido por uma empresa privada. Abreu também leva para o festival o espetáculo ''Suíte 1'', da Companhia de Teatro Brasileiro. ''Nessa montagem, a mesa de luz vai para o palco e a mudança de luz acontece na frente do espectador. Não é que eu esteja negando a existência dos bastidores, dos cenários e figurinos, mas estou vivendo um momento que acredito no trabalho do ator'', diz o diretor.
O diretor curitibano Edson Bueno, que dirigiu o ótimo ''New York, New York'', de Will Eisner na década passada, que tinha como cenário um extraordinário edifício que desabava aos olhos do público no final da montagem admite que o teatro esteja vivenciando uma tendência de economia estética, influenciada por fatores externos. ''É claro que existem exceções, mas o que mais se vê agora é o teatro voltado para o ator'', analisa.
Bueno está envolvido em quatro espetáculos em cartaz no FTC. A estréia de um deles ''Metamorphosis'', adaptação do conto de Franz Kafka vai ao encontro dessa tendência minimalista. ''É uma montagem sem grandes alegorias, voltada ao trabalho de ator. Fizemos na garra, sem patrocínio'', revela o diretor. O espetáculo integra a programação do Fringe, mostra paralela do festival.
A produtora e maquiadora Márcia Moraes, da Cia Senhas de Teatro, observa que ausência de investimento no teatro e a dificuldade em conseguir patrocínios acabou levando a essa ''tendência'' minimalista. ''Mas isso acabou sendo positivo. É bom enfrentar o desafio de fazer o teatro acontecer sem grandes recursos.''. Ela lembra que a Coletiva de Teatro, um dos eventos do festival que reúne, ao todo mais de 200 montagens, é um evento que ressalta as produções que acontecem com o recursos mínimos. A Cia Senhas de Teatro o espetáculo ''Não me deixe mentir''. A coletiva acontece no Teatro Paiol, de 18 a 26 de março, apresentando oito montagens curitibanas.
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