Táxi caro é outro problema
O custo do transporte individual é apontado pelo presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Paraná (Abav-PR), Antonio Azevedo, como mais um obstáculo para o desenvolvimento do turismo de Curitiba. As tarifas de táxi pesam especialmente no bolso dos passageiros que usam linhas aéreas nacionais. Azevedo usa como exemplo o turista que vem a Curitiba do centro de São Paulo, pelo aeroporto de Guarulhos. Seu gasto médio é de R$ 110,00 só em taxas de transporte.
O valor corresponde ao da corrida de táxi até Guarulhos (R$ 60), taxa de embarque (R$ 9) e de uma nova corrida de táxi, do Afonso Pena até o centro de Curitiba (R$ 41). Levando-se em consideração a distância, em São Paulo o táxi é proporcionalmente mais barato do que em Curitiba, uma vez que lá o trajeto corresponde ao dobro do percorrido aqui.
Azevedo conclui que o turista gasta mais para andar de táxi do que de avião, pois a menor tarifa aérea (São Paulo-Curitiba) custa R$ 79,00. Ele acredita que o custo do táxi poderia ser reduzido, caso houvesse racionalização no uso. Hoje, os carros que atendem o Afonso Pena legalmente têm exclusividade no transporte de passageiros que desembarcam, mas não podem operar em Curitiba e vice-versa. Ou seja, percorrem vazios todo o trajeto de volta.
O custo com combustível e mão-de-obra utilizados para este retorno são cobrados do passageiro transportado. Segundo a Aerotáxi, a cooperativa de taxistas que atende o aeroporto, este valor equivale a 50% do total da tarifa. Além de ser injusto com o passageiro, pois ele não percorreu o trajeto de volta, é um enorme desperdício de tempo, combustível etc., declarou.
Segundo ele, calculando as taxas, se o sistema de transporte individual fosse integrado, o turista pagaria R$ 20,50 pelo percurso e os taxistas teriam a chance de explorar essas e outras corridas com o transporte de mais passageiros. Realidade vantajosa para ambos os lados, comentou.
Para Azevedo, outra alternativa a ser estudada é a implantação de transporte semiprivativo (shutlle service), através de um sistema de vans que percorram o trajeto aeroporto/hotéis, de forma regular e com tarifa especial. O presidente da ABAV-PR também sugere a revisão do conceito da linha de ônibus especial hoje existente, agregando qualidade e direcionando seu trajeto para os locais de maior demanda (hotéis, centros de eventos etc.).
O presidente da Cooperativa de Aerotáxi de São José dos Pinhais, Hilário Horst, admitiu que no preço da corrida está embutido o custo do trajeto de volta e afirmou que o mesmo sistema de cobrança é praticado pela frota que faz o trajeto Curitiba-Aeroporto. Segundo ele, as corridas custam, em média, R$ 38,00, e quando ultrapassam esse valor é por causa do trânsito complicado.
A cooperativa de taxistas e a Infraero, segundo Horst, estariam estudando alternativas para baratear o custo das corridas, reduzindo o valor cobrado pela taxa de retorno. Só que, para ele, a mesma medida deve adotada pelos taxistas de Curitiba.
Horst concorda que a colocação de vans pode ser uma alternativa interessante para os passageiros. Entretanto, ele afirmou que isso não depende da cooperativa, mas sim, de acordo entre as prefeituras de São José dos Pinhais e Curitiba para regulamentar o serviço.
Quanto ao transporte integrado, Horst acredita ser inviável, pois abrirá precedentes para que todos outros municípios da Região Metropolitana se achem no direito de explorar o transporte na Capital. (A.L.)





