''Tarzan'' volta em desenho animado
Luiz Zanin Oricchio Agência Estado
Tarzan, novo filme dos estúdios Disney, com direção de Kevin Lima e Chris Buck, entra em cartaz no Brasil na próxima sexta-feira em duas versões, uma legendada, outra dublada. Nesta, a voz do homem-macaco é a do ator Du Moscovis. Ed Motta interpreta as canções da versão brasileira.
Inútil falar do padrão de qualidade Disney, que todos conhecem. Mais vale ver qual foi a opção para adaptar a história bolada por Edgar Rice Burroughs em 1912. Seu enredo passou ao domínio público. Fala do filho de nobres ingleses, que sobrevivem a um naufrágio nas costas da África e passam a morar na selva. O bebê fica órfão e é criado por uma família de gorilas. Nasce assim o homem-macaco, Tarzan, que vive de cipó em cipó, fala com os bichos e só toma consciência de sua porção humana com a chegada da insinuante Jane, filha de um cientista interessado em gorilas.
O filme começa a toda, apresentando em pouco mais de dez minutos toda a situação-chave da história: o naufrágio, a solidão na selva, a tragédia da família atacada por um tigre e a adoção do bebê humano pela gorila de bom coração. No original em inglês, a voz da mamãe macaca é de Glenn Close. Na versão brasileira, pertence a Suely Franco. A capacidade de síntese da apresentação inicial do filme tem feito lembrar a de Rei Leão. Mas não é sempre que aparece um desenho desse nível e logo Tarzan mostra que ocupa outro nível. Em parte pela maneira, digamos, aeróbica como a história foi adaptada. Em parte, pelo artificialismo de algumas figuras, como o vilão Clayton, caçador interessado em aprisionar os macacos e vendê-los na Europa. É destoante. E por que está no filme? Porque roteiristas não sabem mais trabalhar sem a figura da vilania, faça ela sentido ou não. Por desencargo de consciência, ponha no papel uma figura do mal. Assim, se o filme naufragar, ninguém poderá ser acusado de ter cometido algum erro primário. Simples assim.
Além disso, cansa ver aquele rapaz surfando em cima dos galhos de árvore, em alta velocidade, pulando de galho em galho, duelando com bandos de macacos rivais, feras variadas e, por fim, claro, com o vilão humano. É um Tarzan pós-tudo, valente, feminista, pronto a ser aceito mesmo por gente que nunca na vida ouviu um grito de Johnny Weissmuller, o ator que colou no personagem de Bourroghs como Humphrey Bogart se identificou a Sam Spade, o detetive inventado por Dashiell Hammett.
Aliás, o personagem de Burroughs tornou-se um dos ícones pop deste século. Os dedos das duas mãos são insuficientes para contar as adaptações cinematográficas e a primeira delas data de 1918.
A versão da Disney até que é bonita. Pode emocionar e/ou divertir as crianças, seu público-alvo. As cópias dubladas oferecem um atrativo extra com a gorilinha amiga do herói que se expressa no mais puro dialeto de Ipanema. Tem lá sua graça.





