"Quando é que deixei de brincar e por quê?". Este é um dos questionamentos lançados pelo documentário "Tarja Branca – A Revolução que Faltava", de Cacau Rhoden, com a intenção de levar o espectador a mergulhar em si mesmo para descobrir a importância do brincar e do espírito lúdico para a manutenção do bem-estar do homem moderno. Como um remédio preventivo sem contraindicação que favorece à saúde mental e à qualidade de vida, o título do filme faz uma analogia aos medicamentos de "tarja preta", tão propalados na sociedade pós-contemporânea. O longa será exibido gratuitamente hoje e amanhã, às 19h30, e no sábado, às 16 horas, no Centro Cultural Sesi/AML (Praça 1º de Maio, em frente à Concha Acústica), em uma promoção do Cineclube Ahoramágica, de Londrina.
Lançado oficialmente em junho deste ano, o documentário com 80 minutos de duração está fazendo sucesso por onde passa, chegando a ficar 11 semanas em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro. Circulando por salas comerciais do Brasil todo, o filme em breve deverá ser exibido em alguns festivais de cinema no exterior.
"A ideia inicial era fazer um documentário sobre os brincantes da cultura popular brasileira, mas, ao investigarmos o assunto, vimos a necessidade de abordar o sentido do brincar, que é muito mais amplo do que pensamos, e está relacionado ao tempo, ao espaço, entre diversas questões", contou o diretor Cacau Rhoden, em entrevista por telefone.
A partir disso, dezenas de profissionais, das mais diversas áreas e gerações, foram selecionados para falar do tema, dentro de aspectos psicanalíticos, sociais, culturais, entre outros, resultando em um material rico em sua diversidade – e difícil de ser selecionado para o tempo predeterminado para o documentário. "Muita coisa boa ficou de fora e, como temos mais de 80 horas de gravação, é provável que outros produtos rendam desse material, como uma série", adianta o diretor.
Entre os depoimentos selecionados para o filme, estão os do jornalista humorístico José Simão, dos atores Domingos Montagner, Wandi Doratiotto e Helder Vasconcellos, do pesquisador musical Alfredo Bello, do músico Antônio Nóbrega e da educadora Lydia Hortélio. A trilha sonora, composta de cirandas, maracatus, cocos, sambas e outros ritmos nacionais, faz um casamento harmonioso e emocionante com a fotografia de Janice D'Ávila.
Vale ressaltar a participação do artista curitibano Hélio Leites, que largou a carreira de bancário para se dedicar à arte de criar esculturas poéticas em miniatura e acabou inspirando o título do documentário com uma de suas obras – feita em frasco de conta-gotas - que fala de um remédio "psico lúdico" que no futuro irá entrar pelo ouvido, por meio da palavra.
Particularmente mobilizado pelo tema, Rhoden admite que o filme foi fundamental para fazê-lo rever uma série de perspectivas da sua vida pessoal e profissional: "Quando recebi o convite para fazer o filme (da produtora Maria Farinha Filmes) e comecei as pesquisas, percebi o quanto estava insatisfeito com o tipo de trabalho que estava realizando. Me dei conta da 'roda viva' em que estava inserido e acabei descobrindo outros caminhos para a minha vida", reconhece.

Serviço:
Documentário "Tarja Branca – A Revolução que Faltava", de Cacau Rhoden
Quando – Hoje e amanhã, às 19h30 e sábado, às 16 horas
Onde – Centro Cultural Sesi/AML (Praça 1° de Maio, 130 – em frente à Concha Acústica)
Quanto – Gratuito
Duração – 80 minutos
Classificação - Livre

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