Tarimba e vitalidade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de agosto de 1998
Nelson Sato 
A tarimba de um e a vitalidade de outro. A experiência da cantora e a banda-revelação. Neuza Pinheiro e Madera engatam de novo, hoje, a parceria que já rendeu alguns shows memoráveis na cidade. Desta vez, eles dividem o palco do bar Valentino (Av. Bandeirantes, 61) a partir de 22 horas, mesclando repertório próprio e canções alheias.
A sessão de releituras inclui músicas de Itamar Assumpção, Mutantes, Herbert Vianna, Roberto Carlos e outros. Neuza, estimulada pelo trabalho dos rapazes, já começa a falar em gravar um CD. Nunca vi um grupo com tal profissionalismo e qualidade. Estou impressionada - diz. A declaração soaria indiferente, não tivesse ela um currículo que inclui uma longa temporada em São Paulo onde desenvolveu projetos musicais ao lado de artistas como Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção.
Tanto entusiasmo a fez convidar o Madera para acompanhá-la nas gravações dos poemas musicados do CD Doze (título provisório), programado para sair até o final do ano junto com o livro homônimo, que reúne textos de poetas locais. Sem poder detalhar o projeto, que se encontra ainda em fase de gestação, a cantora adianta que irá participar interpretando um poema de sua autoria, outro de Carlos Ribeiro e mais um a escolher.
Paralelamente, ela amadurece a idéia da gravação de um CD com composições suas e acompanhamento do grupo londrinense. Isso vai rolar, tem que rolar - diz. Elogiados pela cantora, os integrantes da banda devolvem a cortesia. Ela tem estrela, tem aura, tem essa coisa de estabelecer uma suavidade no palco - observa o baterista Luciano Galbiati.
O primeiro show em parceria foi no Projeto Seis e Meia, depois se apresentaram juntos no Valentino e mais recentemente no palco do Cabaret durante o Festival Internacional de Teatro. Para os rapazes, o contato com a cantora só tem acrescentado ao currículo. Ao contrário da maioria dos artistas e grupos locais, o grupo é consciente dos percalços do mercado musical preferindo não se afobar para gravar um disco.
Aqui, muitas bandas entram cruas nos estúdios de gravação - lembra o guitarrista Ângelo Galbiati. Elas juntam 12 músicas e empatam todo o dinheiro num estúdio com um produtor que nem conhece seu trabalho. O resultado é que a banda acaba logo depois da gravação.
A certeira constatação mostra que os rapazes não são presas fáceis de roubadas. Os ingressos para o show de hoje custam R$ 5,00.


