Uma comédia francesa emocionante, o longa ''Minhas Tardes com Margueritte'' - que estreia hoje na programação do Cine Com-Tour/UEL - tem mérito em explorar assuntos delicados, percorrendo com a leveza necessária questões sobre a existência, a morte, e a verdadeira transformação que o contato com a literatura pode causar na vida de um indivíduo.
No filme, somos apresentados ao fazendeiro Germain (Gerard Depardieu), que mora em uma cidadezinha francesa e é dono de um grande coração, mas de uma baixa auto-estima, convivendo diariamente com seus próprios traumas e dificuldades de aprendizado. Enquanto conhecemos o personagem, descobrimos que os maiores problemas de Germain advém do seu relacionamento conturbado com a mãe (Claire Maurier), que - como é apresentado em flashbacks - foi responsável por um verdadeiro inferno durante a infância e adolescência do protagonista.
As coisas começam a mudar para Germain quando ele encontra, por acaso, a simpática Margueritte (Gisèle Casadesus); uma senhora de 95 anos que tem o costume de ir, todos os dias, ler no banco de uma pracinha. Depois de alguns encontros casuais, os dois acabam virando grandes amigos, e Margueritte é responsável por despertar o interesse de Germain pela literatura ao narrar, em voz alta, romances de grandes autores como Albert Camus e Romain Gary.
Apesar de contar com um competente elenco coadjuvante, a química entre a dupla de personagens principais é a grande responsável por transformar o filme ''Minhas Tardes com Margueritte'' em uma grande experiência emocional; existe alguma coisa bela em observar um homem simples, como Germain, conseguir ser tocado pela boa literatura, e Depardieu interpreta com maestria uma espécie de Forrest Gump bonachão, que logo ganha a simpatia e a torcida do espectador. Sem grandes pretensões narrativas ou estéticas, este longa vai fazer você sair do cinema querendo mergulhar por entre as páginas de um bom livro. E isso já é mais do que o suficiente.

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