Tão bom quanto o primeiro
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segunda-feira, 17 de maio de 2004
De Cannes<br> Especial para a Folha2 
Além da procedência, o documentário de Michael Moore e ''Shrek 2'' têm em comum aquilo que seria um handicap. Ambos já não são mais as impactantes surpresas, quando há dois anos estiveram na mesma seleção de Cannes. A animação da DreamWorks pode não ter aquele mesmo irresistível impulso que fez do primeiro filme um clássico instantâneo, e pode até não repetir os U$ 480 milhões da bilheteria mundial. Mas descontado este pequeno inconveniente, ''Shrek 2'' mergulha da mesma maneira hilariante nas gags e na comédia slapstick, o saudável pastelão, apoiado agora por um elenco de vozes que é o dream team da dublagem.
O filme começa onde os contos de fadas acabam. Todos se lembram do ''e viveram felizes para sempre'' que encerrava ''Shrek''. Pois agora os roteiristas Andrew Adamson, Joe Stillman, J. David e David Weiss iniciaram com uma pergunta até aqui sem resposta. E o que acontece a partir de ''e viveram felizes para sempre''?
Bem, há a questão racial, só para começar. Depois da lua-de-mel, em antológica sequência de abertura, a princesa Fiona (Cameron Diaz), agora definitivamente ogra por opção, apresenta o marido Shrek (Mike Myers) aos pais, o rei Harold (John Cleese) e a rainha Lillian (Julie Andrews). Com eles, o inseparável Donkey (Eddie Murphy). Mas papai e mamãe estranham muito as novas caras na família. E quem gosta menos ainda da nova situação é a Fada-Madrinha de Fiona (Jennifer Saunders), que tinha planos de casar a moça com o filho, Príncipe Charming (Rupert Everett). Armadilhas, equívocos, poções mágicas e pronto, lá está Shrek transformado em galã boa pinta, Donkey em belo garanhão branco e Fiona novamente com o rosto de antigamente.
A grande novidade neste roteiro de agilidade imaginativa a toda prova (para metabolizar tudo o que é entregue a todo momento só mesmo revendo o filme uma segunda, e quem sabe uma terceira vez) é um novo e carismático personagem, o Gato de Botas (Antonio Banderas, de forma deliciosa reencarnando sua persona de Zorro), felino mercenário e destemido, espadachim exímio e matador de ogros, a princípio contratado pelo pai de Fiona para liquidar Shrek. Mas o gigante verde acaba seduzindo e alistando o bichano para enfrentar a Fada Madrinha e suas poções. ''Shrek 2'' uma vez mais inunda a tela com uma profusão de gags visuais, anacronismos, sátiras e, felizmente, uma coletânea iconoclasta em torno da galeria de personagens dos contos de fada.
As férias escolares de julho prometem este ano no Brasil, com ''Shrek 2'', ''Garfield'', ''Homem Aranha 2'', ''Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban''. (C.E.L.J.)


