Buenos Aires - A Argentina terá, dentro de dois anos, 25 diplomados em tango, formados no curso de pós-graduação cujas aulas terão início em Buenos Aires no próximo mês.
A notícia foi publicada ontem pela imprensa argentina que acrescentou que este será o primeiro título universitário oficial do gênero.
Entre os professores do curso, que será coordenado a partir de 12 de agosto pelo jornalista Jorge Gottling, estão grandes figuras e estudiosos dessa expressão cultural de Buenos Aires, como os músicos Horacio Salgán e Atilio Stampone, o dançarino Rodolfo Dinzel, o escritor Horácio Salas e o linguista José Gobello.
O curso, de dois anos de duração, tornou-se possível graças a um acordo entre a Secretaria de Educação do Governo municipal de Buenos Aires e o Centro Cultural Konex, uma entidade privada.
A princípio haverá apenas 25 alunos, que serão escolhidos mediante uma rigorosa seleção dos candidatos, entre os quais são esperados muitos estrangeiros, devido ao crescente interesse que o tango desperta fora da região do Rio da Prata.
No fim do curso, os alunos deverão apresentar uma tese, o que permitirá ''ampliar o horizonte cultural'' do tango, segundo os organizadores. Caso a tese seja aprovada, receberão o diploma reconhecido, comum a qualquer curso de pós-graduação.
''O tango é o fenômeno próprio da cultura argentina. É nosso dever divulgá-lo'', disse o diretor do curso ao jornal ''Clarín''.
Gottling acrescentou que o objetivo é compartilhar ''sonhos coletivos'' e se aprofundar ''no perfil poético do tango'', e adiantou que as disciplinas vão desde introdução à música popular, até história e filosofia do tango.
''É verdade que o tango só pode ser abordado através da angústia, mas por tratar-se do fenômeno mais genuíno e original do Rio da Prata, temos a obrigação de fazer um estudo criterioso do gênero, além de nos comovermos por ele'', disse Gottling.
Na Argentina só existia até agora o título de técnico em tango, concedido pela Universidade do Tango, além de Academia Portenha de Lunfardo, mas nenhum deles era reconhecido oficialmente.
Segundo um estudo da consultoria Bozz Allen and Hamilton, publicado no fim do ano passado, o tango como marca tem um peso específico e uma projeção mundial, e como negócio de exportação pode gerar 400 milhões de dólares por ano para a Argentina.

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