Tambores do burundi hipnotizam o público
- O jornalista Antônio Mariano Júnior viajou a Salvador a convite da organização do Percpan.DivulgaçãoTambores do Burundi em ação no Teatro Castro Alves, anteontem em Salvador: grande atração do Percpan realmente cativou o públicoAntônio Mariano Júnior
Faltavam poucos minutos para a meia-noite de anteontem, quando finalmente foi anunciada a principal atração do 6º Panorama Percussivo Mundial - Percpan. O público que lotou o imponente Teatro Castro Alves, em Salvador, não se fez de rogado e recebeu calorosamente os 13 músicos do grupo africano Tambores do Burundi que subiram ao palco equilibrando seus pesados instrumentos na cabeça. Começava nesse exato momento um show que, certamente, vai marcar a história do Percpan. Um show de técnica, musicalidade, plasticidade, magia e que, sem exagero nenhum, provocou uma catarse coletiva.
Foram quase 40 minutos de apresentação daquele que é considerado o melhor produto de exportação do Burundi, umas das nações mais pobres do continente africano cuja história é marcada por tradição, sofrimento e, principalmente, crises políticas. Na condição única e soberana de artistas, os percussionistas puderam, enfim, pisar em palco brasileiro depois de duas tentativas frustradas - a cúpula do Percpan tentou trazê-los em 97 e 98 mas isso não foi possível em função da guerra civil que assolava o país.
Vestidos com uma mortalha nas cores vermelho, branco e verde os percussionistas, homens de músculos tesos e contagiante alegria (pelo menos no palco), tocaram, cantaram e dançaram ao som do Inkiranya (tambor central), dos Amashako (tambores responsáveis pela marcação do ritmo) e dos Ibishikiso (tambores que seguem a cadência proposta pelo Inkiranya).
DivulgaçãoSilvercloud Singers: grupo americano teve o brilho ofuscado pelo som dos índios do XinguO som abafado e forte provocado pelos instrumentos tomou conta de todo o ambiente. O público, completamente entregue, deu um show à parte. Não se viu, ao contrário de qualquer outra atração da noite, ninguém se levantar ou conversar, a reverência era total. Somente um outro grupo - mesmo assim isento de qualquer comparação - conseguiu arrancar entusiasmados aplausos na primeira noite das apresentações em locais fechados e que foi marcada por altos e baixos: os índios Camaiurás, do alto Xingu.
Sob o comando do pajé Sapaim, os índios fizeram uma apresentação regida pela singeleza e vigor contidos nas danças e cantos sagrados. Foram eles, os índios brasileiros, com coloridos cocares e corpos pintados, os responsáveis pelos momentos de descontração já que até então as demais performances beiraram a sisudez.
Foram eles, índios e índias Camaiurás, que conseguiram fazer o público se levantar e bater efusivas, demoradas e merecidas palmas. Em pé, é bom que se frise. Conseguiram, inclusive, ofuscar o incensado grupo Sivercloud Singers, formado por descendentes de índios norte-americanos, e anunciado como uma das principais atrações do Percpan, que fez uma apresentação que funcionou bem no início mas que se revelou, no final, repetitiva.
Hoje, depois de dois dias de apresentações, a sexta edição do Panorama Percussivo chega ao fim. E em grande estilo. Logo mais, às 21 horas, todos os convidados deste ano - com exceção de Maria Bethânia - sobem ao palco do Teatro Castro Alves para promover uma confraternização musical. Que está sendo aguardada com bastante expectativa.





