Tambores ancestrais do Sul
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segunda-feira, 12 de maio de 2014
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
O projeto "Sonora Brasil", desenvolvido pelo Sesc com o objetivo de difundir a produção musical não comercial do País, voltou-se nesta temporada para grupos que trabalham com instrumentos de percussão.
Intitulada "Tambores e Batuques", a nova série de shows visa sobretudo levar para os palcos a musicalidade dos rituais afro-religiosos. Quatro grupos foram selecionados: Raízes do Bolão, do Amapá; Samba do Cacete da Vacaria, do Pará; Raízes do Samba de Tocos, da Bahia; e Alabê Ôni, do Rio Grande do Sul.
Este último está circulando pelo Paraná desde a semana passada. Hoje faz show em Umuarama, amanhã em Maringá e quinta-feira em Londrina. Todas as apresentações ocorrem nas respectivas unidades do Sesc, com entrada gratuita. Alabê Ôni foi fundado em 2012 em Pelotas (RS). O nome é inspirado na língua iorubá, na qual tem o significado de "nobre tamboreiro" ou "grande mestre dos tambores".
É formado pelos músicos Richard Serraria, Kako Xavier, Pingo Borel e Mimmo Ferreira. "Nossa pesquisa é dirigida para música negra dos séculos 18 e 19 do Rio Grande do Sul", diz Richard, em entrevista por telefone à FOLHA 2. "Trabalhamos ritmos populares ancestrais como o candombe, maçambiques, quicumbis e batuque de Nação Oyó Ijexá. Tudo é tocado com tambores de sopapo, a herança africana encontrada principalmente nos litorais norte e sul do nosso Estado, onde chegavam navios com os negros e com eles a cultura do tambor feito de tronco de árvore e couro de cavalo", explica.
"Nosso Estado é costumeiramente associado ao legado europeu. A história oficial sempre focou nas tradições culturais de italianos, alemães e poloneses. Mas os negros já estavam na região há mais de 100 anos. Queremos mostrar um Rio Grande do Sul desconhecido do público"
Ele observa que, embora o grupo exista há apenas dois anos, cada integrante tem vivências junto a essas manifestações há mais de duas décadas. "A história oficial sempre focou o legado de italianos, alemães e poloneses. Mas os negros já estavam na região muito antes da vinda dessas etnias. Queremos mostrar a força da presença negra no Sul com sua música, suas religiões e seus processos linguísticos", salienta.
No ano passado, o Alabê Ôni realizou cerca de 60 shows percorrendo as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Tocou também no Rio de Janeiro e no Uruguai. Também na última temporada, o grupo lançou um DVD homônimo, realizado em parceria com o Coletivo Catarse, núcleo de produtores que prepara um documentário sobre cultura popular brasileira baseado nas visitas do Alabê Ôni a inúmeras cidades do País.
Ainda calcado na temática "Tambores e Batuques", o projeto "Sonora Brasil" do Sesc agendou para Londrina shows dos grupos Raízes do Bolão (AP), Raízes do Samba de Tocos (BA) e Raízes de Cacete da Vacaria (RS), respectivamente para os dias 30 de setembro, 12 de novembro e 14 de dezembro deste ano.
SERVIÇO
Show do grupo Alabê Ôni
Quando - Quinta-feira (dia 15) às 20h
Onde - Sala de Espetáculos do Sesc (Rua Fernando de Noronha, 264), em Londrina
Ingresso - Gratuito
Informações - (43) 3305-7800


