Talentos reunidos no YouTube
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sábado, 26 de agosto de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A internet possibilitou várias novas formas de divulgação para bandas independentes. Depois do mp3, dos blogs, do My Space, do Orkut e da Trama Virtual, a mania do momento é o site YouTube (www.youtube.com). A página, que permite que vídeos sejam vistos e compartilhados gratuitamente, está sendo utilizada como instrumento de divulgação por várias bandas paranaenses: Grenade, Terminal Guadalupe, Poléxia, Primos da Cida, Los DiaÀos...
''Qualquer forma de divulgação é válida. E o lance hoje é on-line. Os instrumentos da internet quebraram as grandes gravadoras. O cenário alternativo está em alta, o que nunca tinha acontecido. O YouTube, a Trama Virtual, facilitam muito as coisas. Alguém fala para você de uma banda, você vai lá, ouve o som na hora, vê o clipe. Em cinco minutos, conhece o artista'', comenta Fábio Banks, guitarrista da banda curitibana Zigurate.
O grupo está com dois vídeos no YouTube: um ao vivo, gravado e colocado no site pelo amigo Marcelo Borges, e o clipe da música ''Como Será'', que foi disponibilizado pela própria banda. ''O YouTube é simples, você clica, e o vídeo já começa a rolar. E o pessoal hoje quer facilidade'', acredita Banks.
Ao contrário de outros sites de compartilhamento de arquivos, o YouTube funciona em stream, ou seja, não é necessário baixar o arquivo para ver o vídeo. Essa praticidade, aliada à gratuidade do serviço, faz com que todo tipo de vídeo seja colocado na página: desde imagens caseiras de bandas novatas tocando em frente ao computador até a cabeçada do jogador francês Zidane na final da Copa e os depoimentos da novela ''Páginas da Vida''.
O Trilobita, de Londrina, já disponibilizou vários vídeos no site. Sassá, guitarrista do grupo, aponta que o objetivo é colocar na página vídeos para todas as músicas do álbum ''Inteligente Caos''. ''O YouTube tem muito a ver com a nossa proposta, que é meio de trilha sonora. Combinar a música com imagens deixa o trabalho mais atraente'', argumenta o músico.
Alguns vídeos do Trilobita foram feitos por amigos, como o cineasta e jornalista Rodrigo Grota. Entretanto, a maioria foi feita por Sassá, no computador da casa dele. ''Misturamos várias coisas. Gosto muito de vídeo game, acompanho desde moleque. Usamos imagens de jogos nos clipes, e a capa do nosso disco é baseada no Atari. Também utilizamos referências da Sessão da Tarde, dos anos 80, coisas da nossa infância'', explica o guitarrista.
Ele acredita que o YouTube e outros sites de compartilhamento de vídeos funcionam como alternativa à MTV, que não abre espaço suficiente para artistas independentes. ''Fiz cinco vídeos em casa, sem custo nenhum. Se eu os mandasse para a MTV, acho que nem poderiam passar, porque usamos cenas de vídeos famosos, talvez haveria problema de direitos autorais. O YouTube, em todo caso, é bem mais democrático. Se você divulgar certinho, os vídeos do site atingem mais gente do que passar uma vez na vida na MTV'', afirma Sassá. Segundo o músico, em duas semanas os vídeos do Trilobita tiveram cerca de 200 acessos cada.
As facilidades do YouTube geram casos curiosos, como o da banda curitibana Charme Chulo, que teve seu clipe, ''Polaca Azeda'', disponibilizado no YouTube à revelia do grupo. ''Não fomos nós que colocamos. Tínhamos colocado o clipe apenas no nosso site. Depois, ficamos sabendo que estava no YouTube'', explica o vocalista Igor Marcel.
O fato empolgou o Charme Chulo, que pretende colocar no YouTube vídeos de shows e de apresentações em programas de TV. ''Divulgação, para bandas independentes, é fundamental'', diz Marcel.
As novas formas de divulgação propiciadas pela internet são saudadas com entusiasmo pelas bandas independentes, mas Banks, do Zigurate, sente um gostinho de nostalgia. ''Antes, se você queria conhecer uma banda nova, underground, era difícil. Tinha que correr atrás, ver se conhecia alguém que tinha alguma coisa da tal banda, se encontrasse, gravava numa fita K-7... Eu acho que com a internet se perdeu esse prazer''.


