A poesia concreta de São Paulo é uma completa tradução da metrópole, que ainda vende o sonho feliz de cidade para todos os que a encaram frente a frente. Para a quatrocentona, que padece de uma insônia produtiva, uma dedicatória de 44 escritores iniciantes, que por imperativo do inesquecível primeiro abraço de São Paulo, colocaram no papel as esquinas, meninas, vilas e favelas paulistanas.
A antologia ''Universo Paulistano: Contos, Crônicas e Poemas de uma Cidade que Nunca Dorme'', que está sendo lançada pela Andross Editora, é também uma das muitas experiências que pululam em São Paulo - uma metrópole que é um desafio constante à criatividade dos que sonham em conquistar um espaço.
Com apenas quatro anos, a editora, que nasceu no campus da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, já tem 35 títulos publicados e mais de 20 mil livros distribuídos, inclusive em outros países. São 19 livros de antologias com autores iniciantes.
Organizada por Edson Rossatto, editor da Andross, e Carlos Francisco de Moraes, doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), a antologia ''Universo Paulistano'' encontrou nos 300 textos analisados, os 54 selecionados que melhor revelam a cidade mítica sob a garoa. ''O livro evidencia a relação de amor e ódio que as pessoas têm com São Paulo. Grande parte dos autores fala dos problemas da capital. É como disse Mário de Andrade: 'No pátio do colégio afundem o meu coração paulistano''', comenta Edson Rossatto.
A citação de Andrade é a mais perfeita tradução do sentimento dos que nasceram ou foram adotados por São Paulo e que não se arriscam a abandoná-la por medo de deixar nela o coração.
''O Viaduto do Chá era a passarela da maior parte de minhas assombrações. (...) Não descreverei aqui cada assombração, pois descrevê-las significa recordar; e, ao recordar, meu peito parece ficar mais pesado'', relata Maíra Martins, no texto ''A São Paulo Invisível''.
Ela é um dos iniciantes que pegou a lufada da Andross no mercado editorial, com consequências de mão dupla para autores e editora. ''O Carlos Francisco de Moraes era meu professor na faculdade de Letras. Ele queria publicar um livro meu, mas propus que a gente promovesse um concurso de textos para revelar novos autores. A iniciativa deu certo e resolvemos estender a ideia para fora da universidade'', lembra Rossatto.
A fórmula encontrada pela Andross para enfrentar um mercado sujeito às intempéries da economia parece simples: se 50 autores venderem 20 exemplares cada um, serão 1 mil livros vendidos. ''Não tem segredo. Os autores adquirem 80% dos livros. É bom para a editora, que tem um retorno rápido e para o autor significa a oportunidade de mostrar o trabalho. É diferente de uma editora comercial, que tem que contar com a venda dos livros nas estantes das livrarias'', afirma Rossatto.
A Andross está com seleção aberta para outras sete antologias, que devem ser publicadas até o final do ano. Os interessados podem visitar o site www.andross.com.br

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