Talentos não premiados
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quinta-feira, 02 de outubro de 2003
France Presse 
Paris - Como todo prêmio literário ou artístico, o Nobel de literatura ignorou numerosos autores que, com a passagem do tempo, converteram-se em ''escritores universais'', entre eles o argentino Jorge Luis Borges ou o brasileiro Jorge Amado.
Autores como Joseph Conrad, Strindberg, Tolstoi, Joyce, Proust, Fernando Pessoa, Kafka, Henry James, Musil, Rilke, Greene, assim como também Broch, Nabokov, Brecht, Giono, Ungaretti, Kemal e muitos outros, alguns ainda em atividade, não figuram entre os premiados.
Observa-se por exemplo que Pearl Buck foi escolhida, mas não Virginia Woolf
e que os franceses Sully Prudhomme (Nobel em 1901) ou Frédéric Mistral (Nobel
em 1904) já não são lidos, nem tampouco os alemães Paul Heyse (Nobel em 1910) ou Rudolf Eucken (Nobel em 1908).
O Nobel de 1952, François Mauriac, dizia: ''Muitas vezes os premiados não são os melhores, mas os mais eficazes, os que se preocupam em influir sobre seus contemporâneos''.
''O Nobel não é como as Olimpíadas. Cada caso é discutido vários anos. Temos os melhores serviços secretos da literatura'', defendem-se os membros do júri.
É certo que nos Estados Unidos e na Alemanha, por exemplo, o Nobel algumas vezes acertou no alvo ao recompensar Faulkner (não muito lido ainda em 1950), Hemingway e Steinbeck de um lado e Thomas Mann, Boll e Grass por outro.
Autores como Kafka, Cavafy ou Fernando Pessoa só foram conhecidos depois de mortos. Proust morreu pouco depois de ter conseguido notoriedade, sem deixar à Academia Nobel o tempo de mergulhar em sua obra. Quando vivo Musil, por exemplo, só era conhecido em um círculo restrito. Rilke e García Lorca também publicaram obras importantes antes de morrer.


