Na última edição de 2015 da "Sessão Kinopus", projeto independente da produtora Kinopus Audiovisual com apoio do Sesi Cultura Paraná, serão exibidos quatro curtas-metragens produzidos em Londrina nos últimos meses. Os filmes são "Alice", de Miriam Kimura; "Onde o Coração Canta", de Letícia Nascimento; "O Canto do Claustro", de Gustavo Minho Nakao; e "Copo de Leite", curta produzido na oficina do Cine Guerrilha. A sessão gratuita tem início às 20 horas no Centro Cultural Sesi/AML. Logo após a exibição, haverá um bate-papo informal com os realizadores. Desde o início do ano, o projeto já realizou oito sessões, sempre contemplando filmes que não foram lançados no circuito comercial local, bem como promovendo a estreia de produções londrinenses.
Gustavo Minho Nakao, que também é diretor de "Junie", eleito Melhor Filme da Mostra Londrinense pelo júri oficial do 17º Festival Kinoarte de Cinema, conta que "O Canto do Claustro" é seu segundo curta. "Neste curta, tive mais tempo de trabalhar no roteiro; foram onze tratamentos até chegar à versão final depois de quatro meses. Antes, fiz muitas pesquisas e li vários artigos sobre o assunto para embasar", conta ele, explicando que o filme trata do aumento de casos de transtornos de ansiedade e depressão no mundo moderno. "Há alguns anos, comecei a observar como o tema era recorrente entre amigos e conhecidos. Todo mundo pensa demais o tempo todo e as pessoas estão ficando doentes e desiludidas."
No enredo, majoritariamente apenas dois personagens em cena – e mais uma rápida participação de uma criança – no qual uma arquiteta tem um conflito com seu passado que ainda causa muito sofrimento. "Ela tenta resolver essa questão com o outro num jantar."
O filme foi rodado nas cidades de Londrina e Rolândia e tem doze minutos de duração. Na produção deste roteiro, Nakao destaca que compôs um material aberto, no qual o espectador pode construir sua ideia junto à história. "Apesar de eu ter minha conclusão sobre a história do filme, é segredo; não quero ser o dono da verdade. O curta permite várias outras conclusões e cada um pode criar sua própria." A estreia oficial está prevista para janeiro.
Já "Onde o Coração Canta" foi a primeira experiência de Letícia Nascimento como diretora, além de assinar o roteiro. Para a execução, ela não teve recurso nenhum. "O filme foi rodado de forma totalmente independente, sem orçamento algum. Tudo foi batalhado."
O roteiro, resultado de oficina do Núcleo de Dramaturgia do Sesi, realizada no ano passado, saiu do papel em maio e rendeu boas críticas à jovem e o prêmio de Melhor Filme na categoria votação do público, na última edição do Festival Kinoarte. O filme conta a história de uma jovem que sonha em cantar, mas não possui talento. "Acredito que, de certa forma, o público se identificou e conectou com a história dela." As letras das músicas cantadas pela personagem também foram compostas por Letícia.
Outro curta a ser exibido é "Copo de Leite", produzido na oficina do Cine Guerrilha. O coordenador Carlos Fofaun Fortes explica que o curta é resultado de uma oficina de artes marciais para cinema com um dos especialistas no assunto, o coreógrafo de luta e dublê de ação Gutemberg Lins. "Nas oficinas de cinema de gênero que realizamos, priorizamos a participação dos profissionais que são tão importantes ou até mais que um diretor. Na primeira oficina, veio um maquiador de filmes de horror, cujo resultado foi um filme de zumbis. Nesse, Gutemberg mostrou como é o preparo dos atores para as lutas, como se bate e apanha nas cenas." Os alunos da oficina também atuaram no curta. O filme é baseada num ‘causo’ que havia na época da colonização da cidade permeado por várias cenas de kung fu.
Por fim, "Alice", de Miriam Kimura, é resultado de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e mostra a história de uma senhora idosa japonesa residente na cidade vizinha de Rolândia, que escreve poesias em japonês, um estilo chamado "senryu". "Minha família já conhecia a história dessa senhora e o documentário foi uma forma de divulgar a cultura local da qual ela faz parte", explica. O filme de cerca de seis minutos mescla imagens da personagem enquanto ela narra, em japonês, seus próprios poemas.

Serviço:
Sessão Kinopus
Quando – Hoje, às 20h
Onde – Centro Cultural Sesi/AML (Praça Primeiro de Maio, 130)
Quanto - Gratuito (retirada dos ingressos a partir de uma hora antes da exibição)

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