Talento versátil ao piano
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de março de 2010
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A versatilidade do pianista paulistano Fabio Caramuru é habitualmente enfatizada para apresentá-lo a plateias que ainda não tiveram contato com sua obra. Músico premiado, ele desenvolve um trabalho bastante diversificado como intérprete, compositor e arranjador dedicando-se a repertórios eruditos e populares com igual desenvoltura.
O público de Londrina poderá conferir seu talento amanhã, quando participa como solista do concerto de aniversário de 26 anos da Orquestra Sinfônica da UEL (Osuel). Hoje ele bate um papo sobre sua trajetória e o mercado para o músico no campus da UEL.
Os dois eventos têm entrada franca. ''No bate-papo pretendo frisar a importância de se diferenciar para não ser apenas mais um pianista fabricado em série através de concursos. Vou falar da necessidade do músico descobrir uma linguagem pessoal para se expressar, da gratificação que é se sentir à vontade seja atuando no gênero popular ou erudito'', salienta ele.
Fabio apresenta-se regularmente no Brasil, Estados Unidos e Europa em recitais solo e com orquestra. Conquistou prêmios em concursos nacionais, como o Jovens Solistas da OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) e o Concurso Nacional Camargo Guarnieri. Também venceu, em 1991, o Grande Prêmio da Crítica concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Dono de sólida formação erudita, fez especialização em Paris, na escola da pianista Magda Tagliaferro. Concluiu o mestrado na Escola de Comunicações e Artes da USP, onde defendeu dissertação sobre a obra de Tom Jobim, que, aliás, teve 28 composições gravadas no álbum duplo ''Piano - Tom Jobim por Fábio Caramuru'', lançado pela gravadora MCD em 1997.
A partir de 2003, Fábio passou a desenvolver sua própria linguagem em um trabalho calcado na improvisação. É o que revela no CD ''Moods Reflections Moods'' (2004), o primeiro da safra autoral. ''Foi a minha ruptura. Entrei no estúdio, improvisei durante duas horas, depois retornei ao estúdio para editar o material gravado'', conta. Há dois anos, saiu o segundo álbum: ''Bossa in the Shadows'', gravado em duo com o contrabaixista Pedro Baldanza.
Pianista de exceção no segmento erudito brasileiro, no qual a maioria dos músicos prefere realizar-se como intérprete de clássicos a arriscar na composição, ele também está à margem dos que habitam o campo popular. ''Muitos vão estudar em Berkley, aprendem as progressões harmônicas e ficam repetindo eternamente aquilo. Daí a necessidade de uma formação erudita, cuja técnica e multiplicidade colorida permitem sair do clichê, do previsível e partir para um trabalho autoral'', diz.
Na apresentação de amanhã como solista, Fabio executará duas peças: o ''Concerto para Piano e Orquestra'' de Maurice Ravel e ''Suite Tom Jobim'', com seis composições de Jobim em arranjo de Adail Fernandes. Também estão no programa do espetáculo os temas ''Pavane pour une infante Défunte'', de Ravel e ''Um americano em Paris'', de George Gerswhin. Além de marcar o aniversário de 26 anos da orquestra, o concerto abre a temporada-2010 de apresentações sob a regência da maestrina cubana Elena Herrera.
SERVIÇO
■ Bate-papo com o pianista Fabio Caramuru
Quando - Hoje, 16h
Onde- Sala 656 do Departamento de Música e Teatro Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA) no campus da UEL
■ Concerto da Osuel
Quando - Amanhã, 20h30
Onde - Teatro Ouro Verde


