Talento sem barreiras
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Os braços ainda dóem ao manter a postura correta para tocar o violoncelo, mas o sorriso sereno estampado no rosto de Clarissa Jucá Vieira é um dos sinais da sua satisfação pessoal. Depois de viajar mais de três mil quilômetros para participar do 29º Festival de Música de Londrina, a jovem talentosa de 14 anos que veio de Belém do Pará já demonstra uma segurança que é rara na sua idade. ''Desde a primeira vez que toquei o violoncelo me apaixonei. E tenho certeza que eu quero ser uma musicista'', afirma, convicta.
Seu primeiro contato com instrumentos musicais foi aos 10 anos, quando começou a ter aulas de violão. Não muito animada com a sua aprendizagem, foi sugerida a experimentar o violoncelo um ano depois. Como um amor à primeira vista, não conseguiu abandoná-lo. ''Ele é tão clássico e tem um som tão delicado...'', derrete-se ao falar do instrumento em que mantém uma fitinha de Nossa Senhora amarrada na parte final do braço.
''No começo a minha mãe ficou um pouquinho decepcionada, pois imaginava que teria uma filha advogada, médica, mas agora ela está feliz com a minha escolha'', contou Clarissa, que faz aulas na Escola de Música da Universidade Federal do Pará (UFPA) e reconhece que o apoio da família tem sido fundamental.
Foi durante um pesquisa na internet que ela e os pais tomaram conhecimento do Festival e das aulas de violoncelo com o renomado professor Antonio Lauro Del Claro. Apesar da distância e da apreensão de deixar a filha viajar para tão longe, ficando duas semanas fora de casa, pesou o talento precoce.
Hospedada na casa da apresentadora Paula Piccinin, dentro do projeto ''Adote um músico'', Clarissa está contente com a oportunidade. ''Sei que ainda tenho muito o que aprender'', diz..
O professor Del Claro considera a jovem artista uma ''grata surpresa'', garante que ela possui um grande talento intuitivo e que agora é a hora certa de aprimorá-lo. Surpreso, ele se admirou em não tê-la conhecido antes, já que há mais de seis anos viaja a cada dois meses para Belém do Pará como professor visitante do curso de bacharelado de violoncelo da UFPA.
''O talento e a pré-disposição para o intrumento que ela já tem são meio caminho andado para uma carreira bem-sucedida. Até certo ponto somos estudantes, depois devemos ser estudiosos. O importante é não ser conformado e sempre procurar evoluir naquilo que se faz'', ensina o mestre.


