Talento precoce
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de janeiro de 1999
Érika Pelegrino 
Quando Marcelo Alves tinha apenas seis meses sua mãe percebeu pela primeira vez que o bebê tinha uma relação com a música, que a princípio ela classificou como sendo estranha. Sempre que escutava Joga Fora no Lixo, sucesso de Sandra de Sá na época, ele começava a chorar. Maria Violeta chegou a levar o filho a um psicólogo, mas não obteve nenhum diagnóstico. Era o dom para a música que já se manifestava. Ele já tinha ouvido muito sensível, acredita.
A comprovação do talento aconteceu quando Marcelo tinha apenas um ano e cantou uma música inteira pela primeira vez. Aos dois anos, conta o pai, ele cantava Fio de Cabelo. O irmão caçula, Marcos, já acompanha o irmão. Eles escutam a música uma vez e já cantam, conta a mãe. Hoje Marcelo está com 11 anos, Marcos com nove e estão decididos a viver de música.
Autodidata, Marcelo aprendeu a tocar violão e guitarra. No distrito da Warta, na região de Londrina, onde moram, todos conhecem os irmãos. Eles chegam da escola pegam o violão e vão para a barbearia ou para a esquina de casa cantar. Sempre que vou procurá-los é só eu ver onde tem uma roda de pessoas que eles estão lá, conta a mãe.
A brincadeira com os amigos, foi substituída pelos acordes. As horas livres fora da escola são aproveitadas para dedicarem-se à música. Marcelo e Marco começaram a pensar mais seriamente em seguir carreira quando, em 1997, a convite do diretor da escola onde estudam, cantaram para 800 pessoas em uma Festa de São João.
O sonho dos pequenos, conta Marcelo é seguir os passos das muitas duplas sertanejas do país. Sonhamos com isto desde pequenos e vamos conseguir, afirma determinado. Os meninos parecem estar perto de concretizar este sonho. Hoje participam da final do concurso realizado pelo bar Viola de Ouro, em Londrina. Os três primeiros lugares irão gravar um CD, conta o pai dos garotos.
Descobertos a poucos dias pelo empresário de dupla sertaneja, Rene de Almeida, eles estão a caminho da profissionalização. Já estão frequentando aulas para aprimorar a técnica de canto. Talento não falta para eles. É preciso agora desenvolver a parte técnica, afirma Almeida.
Segundo ele, ainda é cedo para falar concretamente sobre uma futura carreira artística, apesar do talento. Temos que trabalhar os meninos e prepará-los para ver como tudo acontece, diz prudente. Marcelo não tem dúvidas: nós vamos conseguir, é o que queremos. Os pais incentivam e acreditam no talento dos meninos que hoje têm um repertório de 16 músicas sertanejas e country.


