Talento pé-vermelho nos palcos
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quarta-feira, 05 de janeiro de 2011
Nelson Sato <br>Reportagem Local 
Os musicais desembarcaram de vez no Brasil. Ano após ano, espetáculos do gênero disputam espaço nos principais palcos do País, especialmente no eixo Rio-São Paulo onde estão concentrados os teatros com estrutura para abrigar as versões das superproduções da Broadway.
O londrinense Fernando Cursino, 23 anos, tem acompanhado de ''dentro'' a efervescência na área. Há quatro anos, ele vive na capital paulista trabalhando como ator, cantor e compositor. Estreou no circuito dos musicais atuando na peça ''Miss Saigon'', que ficou em cartaz entre 2007 e 2008.
No ano passado integrou o elenco de ''Zorro'', eleito pela crítica o melhor musical da temporada. ''Eu era o substituto do Jarbas Homem de Mello, que fazia o papel principal. Quando ele tinha algum problema, eu entrava em seu lugar'', conta. Atualmente Cursino interpreta o personagem ''Rei da Pérsia'' em ''Aladdin'', atração no Teatro Bradesco do Shopping Bourbon.
A temporada da montagem segue até abril no local - em seguida sai em turnê pelas regiões Norte e Nordeste. ''Me apaixonei pelos musicais depois de assistir ao espetáculo 'O Fantasma da Ópera'. Vi que era o que eu queria para minha carreira profissional'', conta ele, que veio à cidade natal visitar os familiares.
Para o ator, o mercado de musicais está em ascensão. ''Virou uma febre'', assinala. ''Estão anunciando vários espetáculos para 2011, entre eles 'New York, New York'. O público é assíduo, vem gente do Sul e do Nordeste para assistir.'' Ele observa, entretanto, que o boom se limita ao eixo Rio-SP pelo fato da região manter teatros adequados para receber as montagens.
''Os musicais exigem palcos com profundidade. A capacidade de público importa menos do que um palco grande. Os teatros também precisam ter o fosso para a orquestra, sem o qual a projeção do som fica prejudicada'', explica. Cursino descobriu o universo do teatro ainda criança participando de peças de colégio. Mais tarde levou seu gosto pela representação para Guarapuava e Cascavel, cidades onde morou.
Em Londrina, formou-se pela Escola Municipal de Teatro, além de fazer oficinas de artes cênicas no Sesc-Aeroporto. Também integrou durante dois anos o Chorus, grupo vocal recentemente premiado na China. ''Nessa época aprendi muito sobre técnica vocal com Walquiria Ferraz e sobre leitura de partituras com Hylea Ferraz'', lembra.
Segundo ele, a cidade conta com potencial criativo em todas as áreas, mas que não recebem a valorização merecida. ''Não existe só o Filo (Festival Internacional de Londrina) e o Festival de Música, que são referências nacionais. Há muitos talentos que deveriam ser olhados com mais atenção. Se houvesse mais investimento, acho que a cultura poderia deslanchar e esses talentos permaneceriam por aqui em vez de partir para os grandes centros'', diz.
Ambicioso, Cursino sonha em trabalhar em televisão. Há poucos meses, fez um curso na escola de atores de Wolf Maia e iniciou conversações para trabalhar num seriado produzido pelo canal HBO. Enquanto aguarda oportunidades na área de teledramaturgia, dá seus primeiros passos no veículo atuando em comerciais - ele encarna o deficiente visual na campanha sobre doação de órgãos do Ministério da Saúde.
Já como músico, tem planos de gravar seu primeiro CD este ano. ''Fui educado musicalmente pela MPB, jazz, Bossa Nova e samba-rock. Minhas composições têm influências desses estilos'', salienta. Para divulgar seu trabalho, utiliza ferramentas da internet. ''Posto vídeos no YouTube e transmito pocket shows ao vivo através do Twitcam. É bem interessante, porque as pessoas interagem pedindo músicas'', conta.
Persistente, não se abateu depois de uma passagem frustrante por um programa de auditório. ''Estava tão nervoso que o apresentador me fez abraçar uma de suas dançarinas. Aí fiquei mais nervoso ainda''. Isso foi em 2007, no programa de Raul Gil.


