São Paulo - As hilárias situações que envolvem a canastrona Bárbara Ellen, na novela "Sangue Bom" (Globo), divertem não só o público, mas também sua intérprete, Giulia Gam. A atriz conta que fica surpresa a cada nova tirada cômica da personagem, que, entre muitas pirações, já afirmou que teria feito uma Carminha melhor do que Adriana Esteves, em "Avenida Brasil" (Globo, 2012), e insiste em dizer que seu filho adotivo, Kevin (Marcus Rigonatti), é negro - apesar de ele não ser. "Ela acredita realmente que tem talento, mas não tem. Então, criou essa figura pública que se alimenta do glamour. Se ela pudesse, faria uma coletiva de imprensa todos os dias só para estar em evidência e ser notícia", diz Giulia.
Diante do papel de destaque que lhe foi dado por Maria Adelaide Amaral e Vincent Vilari, os autores da trama das sete, a atriz foi buscar nas malvadas irônicas dos desenhos o tom certo para a primeira vilã cômica de sua carreira. "Penso que ela é como uma megera de desenho animado, uma Cruella Devil com toda aquele ar de superioridade diante dos cachorrinhos", diz, referindo-se à personagem do filme "101 Dálmatas" (1996). "No estúdio, procuro levar a sério as loucuras em que a Bárbara tanto acredita. O bacana é que, no resultado final, para o público, acaba soando como algo muito cômico."
Mas, diferentemente de sua personagem, que vive para se enaltecer, Giulia não tem tanta vaidade, seja ela no campo pessoal ou no profissional. Com 26 anos de TV, ela diz que tem um talento natural, mas que isso não a faz ser a melhor entre as atrizes. "Trabalho com o dom que me foi dado, é a minha profissão. Essa história de glamour fica apenas para as festas. Fora disso, o trabalho na televisão é árduo", diz. "Como mulher, aos 46 anos, sinto que estou bem", comenta.
A experiência e a versatilidade para ir do drama à comédia vieram com personagens marcantes e sempre diferentes a cada produção. Foi assim com a sofrida Bruna, de "Ti Ti Ti" (Globo, 2010-2011), uma católica fervorosa que enfrentava um câncer quando descobriu que o filho era gay. Isso em uma trama em que quase todo o resto do elenco vivia situações cômicas. "Acredito que a Maria Adelaide [Amaral, autora] gostou do meu trabalho e se lembrou de mim agora para fazer ‘Sangue Bom’. Fiquei muito feliz com o convite dela."
Giulia também coleciona outra personagem marcante: a ciumenta Heloísa, de "Mulheres Apaixonadas" (Globo, 2003). Completamente obcecada, ela chegou a atacar o marido e mulheres que o cercavam. Além disso, passou a persegui-lo, o que estragou a relação entre os dois. Marcello Antony, que viveu Sérgio, o marido atormentado pelas loucuras da mulher, lembra de momentos ao lado da atriz. "Dividimos cenas muito fortes, emocionantes e difíceis de serem feitas, mas o resultado foi um sucesso. A Giulia é uma grande parceira."
Com o ator Edson Celulari, ela viveu três pares românticos. O primeiro foi como casal protagonista de "Que Rei Sou Eu?" (Globo, 1989), depois em "Fera Ferida" (Globo, 1993-1994) e, por último, na minissérie "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (Globo, 1998). "A gente se divertia muito durante as gravações, e isso era importante para os casais darem certo", diz o ator.

Mulher espetáculo
As loucuras de Bárbara Ellen no folhetim das sete estão só começando e devem garantir a alegria do telespectador de "Sangue Bom" no decorrer da trama das sete. Algumas das principais histórias do folhetim estão ligadas à megera. Nos próximos capítulos, Natan (Bruno Garcia) deve cair de fato no famoso golpe da atriz decadente e investir em um filme, cuja estrela será ela, claro. "Esse é o famoso golpe da Bárbara: tomar o marido das outras e seduzi-los pelo ponto fraco. Com o Natan, ela usará essa vontade dele de ser cineasta. Ela vai se aproveitar disso", diz.
A megera ainda deverá lidar com a volta da atriz Irene (Deborah Evelyn), de quem roubou Plínio (Herson Capri) no passado. "A Irene, sim, tinha talento para atuar. Mas a inveja de Bárbara prejudicou a carreira da rival. Nessa volta, a atriz deseja recuperar o que perdeu", adianta Giulia.
Em casa, ela continuará em pé de guerra com a filha biológica, Malu (Fernanda Vasconcellos), que é contra o fato de a mãe viver para estar na mídia a qualquer custo e, por isso, expor os próprios filhos. "Malu representa um universo muito oposto ao que a Bárbara fantasiou na cabeça dela: a vida com futilidades. Por isso, elas brigam. Mas acredito que o amor entre elas virá à tona", diz a veterana.
Com a filha adotiva Amora (Sophie Charlotte), Bárbara sofrerá uma desilusão. É que a jovem é uma versão contemporânea da mãe e, naturalmente, vai ultrapassá-la no mundo das celebridades. "Será a criatura superando o criador. A Bárbara corre o risco de ter que voltar às origens, lá na Casa Verde", adianta a atriz.
Esse retorno à infância como Conceição - seu nome verdadeiro na trama - fica cada vez mais evidente com a presença da mãe, Madá (Fafy Siqueira), uma ex-sacoleira que vai relevar todo o passado da filha. "Madá não tem papas na língua e vai contar todos os podres da Bárbara. Inclusive, revelar que ela era gorda e que pagaram uma cirurgia para ela. Ela ficará furiosa, claro", conta Giulia.
Outro grande embate será com Tina (Ingrid Guimarães), que prometeu se vingar da megera por estragar seu casamento com Vitinho (Rodrigo Lopez). A secretária se infiltrará como empregada na casa de Bárbara e, assim, colocará seu plano de vingança em prática, bem ao estilo de "Avenida Brasil". "Os autores já trabalharam com João Emanuel Carneiro, então, têm a liberdade de fazer essa referência à novela dele. A Tina vai tentar conquistar a família da Bárbara e agirá como a Nina fez com a Carminha", adianta a atriz. Giulia comemora a boa fase. "A personagem não é politicamente correta, e isso chamou a atenção do público. Esse sucesso me deixa cada dia mais animada."

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