Talento intuitivo
André Bernardo
TV Press
A atriz Maitê Proença se diz cansada de interpretar tipos sofridos na tevê. Depois de dar vida à introspectiva Clara, de Torre de Babel, ela resolveu dar um tempo nos papéis dramáticos. De agora em diante, só aceita fazer personagens leves e descomplicados. Foi justamente por isso que Maitê adorou o convite de Jorge Fernando para trabalhar em Vila Madalena. Mesmo dividida entre voltar para o seu grande amor ou continuar ao lado do marido papéis de Edson Celulari e Herson Capri Eugênia é do tipo de pessoa que não se deixa abalar pelas agruras da vida.
Segundo ela, a ordem é decorar o texto e seguir a intuição. Quando fiz uma horrorosa em A Vida Como Ela É, recebi aplausos. Mas, em Torre de Babel, não podia aparecer desglamourizada que logo pensavam que estava doente, queixa-se.
Maitê Proença chega aos 40 anos de idade e 20 de profissão dona de uma beleza irretocável. A mesma beleza clássica, de expressivos olhos claros e sorriso angelical, que tanto fez sucesso em Dona Beija, da Manchete, ou O Salvador da Pátria, da Globo. Ainda este ano enquanto grava a novela e aguarda a estréia de Tolerância, filme de Carlos Gerbase Maitê já envereda por outro projeto. Ela busca patrocínio para a produção de um longa que vai contar a história de amor entre uma botânica e um inglês envolvido com o comércio de borracha no início do século passado.
A recente publicação do livro Minhas Mulheres e Meus Homens, escrito pelo jornalista Mário Prata, trouxe boas recordações para a atriz. Nele, o ex-professor do Museu da Imagem e do Som, de São Paulo, recorda momentos marcantes da carreira de Maitê, como a estréia em Dinheiro Vivo, em 1979, e a negociação do cachê para posar nua na revista Playboy, em 1986. Foi justamente Mário Prata quem convidou Maitê Proença para fazer um teste na extinta Tupi. Naquela que viria a ser a última novela da emissora, a atriz interpretou o papel de Joaninha, uma típica moça do interior que adorava ouvir Roberto Carlos. A princípio, eu só faria uma ponta de uma semana. Mas acabei fazendo a novela toda, recorda.
Dali para a Globo, foi questão de tempo. Com o sucesso alcançado na Tupi, Maitê foi logo convidada para fazer Coração Alado, de Janete Clair. O começo de carreira, porém, não foi dos melhores. Em pouco tempo, ela se mostrou assustada com o ritmo das gravações, a cobrança dos diretores e o assédio da mídia. A atriz só não abandonou a carreira por influência do diretor Roberto Talma, com quem trabalhou em Jogo da Vida e A Guerra dos Sexos.
Antes de integrar o elenco de Vila Madalena, ela passou duas semanas em Porto Alegre, onde protagonizou Tolerância, de Carlos Gerbase. No filme, ela interpreta Maria, uma advogada que tem uma relação aberta com o marido, papel de Roberto Bonfim. Os dois mantêm um pacto que os obriga a contar tudo o que acontecer com cada um deles fora do casamento. Como ela é advogada e mente muito na profissão para defender os clientes, ele começa a desconfiar que está sendo traído. Este filme foi o mais bacana de todos os que já fiz, elogia.





